Título mais transaccionado da sessão ultrapassa o limite regulamentar de variação de preços, enquanto presidente da Bodiva destaca “confiança inequívoca” dos investidores na maior OPV de sempre em Angola
A forte procura pela Unitel contrastou com o momento difícil vivido pela operadora de telecomunicações, que continua sem serviços de voz, dados móveis e Internet em todo o território angolano, 36 horas após o ataque informático registado na madrugada de terça-feira.
As acções da Unitel estrearam-se esta quarta-feira a valer 50 mil kwanzas (48 euros) na Bolsa angolana, uma valorização de 24,88% face ao preço inicial, apesar de a operadora continuar sem rede devido ao incidente cibernético.
Título mais negociado da sessão
A empresa de telecomunicações estreou-se na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) na sequência da privatização de 15% do capital e, por volta das 14h00, o título já tinha sido transaccionadomais de 200 vezes, num total de 96 mil acções e um montante superior a 4,1 mil milhões de kwanzas (quatro milhões de euros) — o valor mais elevado da sessão.
No restante mercado accionista, que conta agora com seis empresas cotadas, sobretudo do sector financeiro, a própria BODIVA cedeu 5,88%, para 80 mil kwanzas (77 euros); o Banco de Fomento Angola (BFA) recuou 0,92%, para 108 mil kwanzas (104 euros); o Banco Angolano de Investimentos (BAI) perdeu 1,36%, para 105.500 kwanzas (102 euros); e a seguradora estatal ENSA desvalorizou 1,41%, para 35 mil kwanzas (34 euros), enquanto o Caixa Angola se manteve inalterado, nos 23.550 kwanzas (23 euros).
Valorização excedeu o limite regulamentar
A valorização de 24,88% excedeu o limite normal de variação previsto no regulamento da BODIVA, que fixa em 20% a variação estática máxima dos preços das acções face ao preço de referência de cada sessão. As regras do mercado de bolsa permitem, porém, que a entidade gestora altere pontualmente esse limite “em prol do mercado” e que, em caso de forte volatilidade, interrompa a negociação do título e o reabra através de leilão, ajustando os limites ao novo preço de equilíbrio.
Presidente da Unitel promete restabelecer serviços “ainda hoje”
O presidente da operadora, Aguinaldo Jaime, afirmou esta quarta-feira, na cerimónia de admissão em Bolsa (“ring the bell”), que os serviços deverão começar a ser restabelecidos ainda hoje — uma garantia que surge num momento em que a indisponibilidade da rede se prolonga já para além das 24 horas inicialmente antecipadas, afectandomilhões de clientes particulares e empresariais em todo o país.
“Confiança inequívoca” dos investidores, diz presidente da BODIVA
A presidente da Comissão Executiva da BODIVA, Cristina Lourenço, destacou a entrada de 11.264 novos accionistas na estreia da primeira empresa de telecomunicações na Bolsa angolana. Segundo a responsável, o resultado da operação “expressou inequivocamente” a confiança dos investidores angolanos e estrangeiros no mercado de capitais, nas entidades reguladoras, na entidade gestora do mercado, nos participantes do mercado, assim como no activo admitido à negociação.
“A procura pelas sete milhões e 500 mil acçõesordinárias da Unitel excedeu largamente aquilo que foi a oferta no mercado, com um rácio de cobertura de aproximadamente 120% — uma operação de 300 mil milhões de kwanzas constitui um sinal evidente da confiança dos investidores na empresa e no potencial de crescimento do mercado de capitais angolano”, referiu Cristina Lourenço.
Os 11.264 novos accionistas, salientou a responsável, vão participar directamente no capital de uma das maiores empresas da economia angolana, acrescentando que esta Oferta Pública de Venda se tornou a maior já realizada no país, superando o recorde anterior alcançado pelo Banco de Fomento Angola.
Reacção “correcta e aberta” ao ataque cibernético
Cristina Lourenço realçou ainda a postura “correcta e aberta” da Unitel face ao ataque cibernético de que foi alvo na terça-feira, ao informar de imediato os seus investidores e o público em geral sobre o ocorrido, demonstrando, segundo a presidente da BODIVA, “a sua responsabilidade com o dever de informação” — um gesto de transparência que, segundo a responsável, terá contribuído para que o incidente não abalasse a confiança dos investidores na estreia em Bolsa da operadora.