O Legado de Resiliência por Trás do “Keep Walking”
No mundo dos negócios, a diferença entre uma marca funcional e um ícone cultural reside na capacidade de transformar um produto numa filosofia de vida.
Poucos exemplos no mercado global ilustram essa transição de forma tão brilhante como a Johnnie Walker e o seu lendário lema: Keep Walking.
Mais do que um mero slogan publicitário que resiste há décadas, a frase carrega a essência de uma jornada que começou em 1820, quando o jovem John Walker, após a perda do pai, decidiu desafiar o seu próprio destino. Numa época em que a produção de uísque na Escócia era inconsistente e puramente local, Walker abriu uma pequena mercearia em Kilmarnock. Adoptou a premissa de que o progresso é construído “um passo de cada vez”. Ele não estava apenas a misturar maltes com a perícia que outros usavam para o chá; estava a engarrafar uma visão de futuro.
O que torna a história do Keep Walking um estudo de caso obrigatório para gestores, directores e empreendedores, de Lisboa a Luanda, não é o sucesso imediato, mas a consistência da sua caminhada. Quando a Diageo consolidou a expressão como plataforma global de marca, em 1999, o tecido empresarial entendeu o recado: a resiliência é a maior vantagem competitiva que uma organização pode ter. O icónico Striding Man (o homem que caminha) — desenhado inicialmente num guardanapo pelo cartunista Tom Browne — tornou-se o símbolo universal da recusa em ficar estagnado.
Ao longo de mais de 25 anos de campanha, a marca soube ler as nuances de cada época. O lema adaptou-se a crises económicas e a mudanças geracionais. Recentemente, a marca iniciou uma evolução estratégica para focar no poder individual do “Keep” — um apelo directo à auto-expressão e à perseverança num cenário de mercado cada vez mais volátil.
Para os líderes actuais, que enfrentam os desafios da modernização e da expansão em mercados dinâmicos como o europeu e o africano, a lição de John Walker é clara: o sucesso não se apressa, constrói-se. Num ecossistema corporativo muitas vezes obcecado pelo imediatismo e por resultados instantâneos, lembrar a origem do Keep Walking é um convite para olhar para o horizonte a longo prazo. Recuar não é opção; parar também não. A verdadeira liderança, tal como o bom uísque, precisa de tempo, maturidade e, acima de tudo, da coragem de dar o próximo passo.