Cerca de 168 mil milhões de dólares são gerados anualmente em África através do turismo baseado na natureza, com particular destaque para actividades relacionadas com a conservação da vida selvagem.
De acordo com dados da Tusk, organização sediada em Londres dedicada à conservação da vida selvagem em África, o turismo de natureza representa uma importante fonte de receitas para as economias africanas, ao mesmo tempo que cria incentivos económicos para a protecção dos ecossistemas e da biodiversidade.
A actividade turística ligada à natureza inclui visitas a parques nacionais e áreas de conservação, safaris, observação de animais selvagens e outras experiências associadas à biodiversidade africana.
O peso económico do sector evidencia a relação entre conservação da natureza e desenvolvimento económico. A protecção de espécies e habitats pode gerar receitas para governos, empresas e comunidades locais, além de contribuir para a criação de emprego e para o desenvolvimento de regiões rurais.
Para países africanos com importantes recursos naturais e elevada biodiversidade, o turismo baseado na natureza pode constituir uma alternativa para diversificar as economias e reduzir a dependência de actividades extractivas.
Ao mesmo tempo, o crescimento do sector coloca desafios relacionados com a sustentabilidade. O aumento do número de visitantes exige investimentos em infra-estruturas, gestão das áreas protegidas e mecanismos que assegurem que uma parte significativa das receitas chega às comunidades que vivem junto das zonas de conservação.
A Tusk tem defendido uma abordagem que associe conservação, desenvolvimento económico e melhoria das condições de vida das comunidades locais, considerando que a preservação da vida selvagem deve também produzir benefícios económicos para as populações africanas.
Num continente que concentra algumas das espécies mais emblemáticas do planeta, como elefantes, rinocerontes, leões e gorilas, o turismo de natureza assume, assim, uma importância crescente não apenas ambiental, mas também económica e social.
Okavango gera 4,8 milhões de dólares anuais a Angola
Em relação às receitas proporcionadas pelo turismo da natureza em Angola, não há dados concretos. Contudo, um estudo recente sobre o Okavango (zona que incluiu Angola, Namíbia e Botswana) elaborado pela Conservation Strategy Fund, estima que o turismo baseado na natureza na área angolana da bacia do Cubango-Okavango gerava cerca de 4,8 milhões de dólares por ano, com base em dados de 2019.