O programa de crédito do BNA apoia o tecido empresarial angolano, com 70% do crédito aprovado a chegar às empresas. O agronegócio e a indústria transformadora lideram. E o incumprimento, por agora, fica-se pelos 4,66%.
O Banco Nacional de Angola (BNA) tem nas mãos um dos instrumentos de política monetária com resultados mais concretos dos últimos anos. O Aviso 10/2024 — o mecanismo criado para canalizar crédito para a economia real — já gerou 1.110 desembolsos, movimentou 1,40 bilião de kwanzas e contribuiu para a criação de aproximadamente 80 mil postos de trabalho, 93% dos quais ocupados por cidadãos angolanos.
Os números foram avançados pelo governador do BNA, Manuel Tiago Dias, em entrevista recente ao Economia & Finanças. A execução situa-se nos 70% do total aprovado — 1,40 bilião desembolsado de um total contratualizado de 2,23 biliões de kwanzas —, um ritmo que o próprio governador classificou como “consistente e alinhado com os objectivos definidos”.
A alocação do crédito não foi indiscriminada. A maior concentração foi no agronegócio e na indústria transformadora — os dois sectores com maior capacidade de substituir importações e gerar produção interna. É aqui que o Aviso 10/2024 revela a sua lógica estrutural: não se trata apenas de financiar empresas, mas de reduzir a dependência de Angola de bens que podem ser produzidos no país.
O crédito abrangeu micro, pequenas, médias e grandes empresas — uma amplitude que o BNA considera essencial para dinamizar o tecido empresarial e não concentrar os benefícios nas grandes estruturas já estabelecidas.
O indicador que os mercados mais observam — o incumprimento — situa-se nos 4,66% do montante já desembolsado. É um valor que o BNA considera gerível, mas que exige acompanhamento. Em termos absolutos, representa cerca de 65 mil milhões de kwanzas em crédito em risco sobre os 1,40 bilião desembolsados — uma almofada ainda confortável, mas que tenderá a aumentar à medida que os restantes 30% do crédito aprovado for sendo libertado.
Para além do crédito, Manuel Tiago Dias deixou outro dado relevante: a oferta de moeda estrangeira cresceu 11% em 2025, com os bancos comerciais a comprar cerca de 12 mil milhões de dólares. O governador descreveu o mercado cambial como regular e estável — uma afirmação que, num país historicamente marcado por tensões cambiais, tem um peso político que vai além da estatística.