Internacional

Estreito de Ormuz continua bloqueado apesar das proclamações de vitória de Trump e do Irão

Os EUA destruíram lanchas iranianas, um navio da Maersk conseguiu atravessar sob escolta e Trump diz que ganhou. O Irão nega tudo e avisa que qualquer força militar que entre no estreito “será alvejada”. No meio, o petróleo de um quinto do mundo continua preso.

Washington e Teerão proclamam vitória. O Estreito de Ormuz continua quase totalmente bloqueado. Esta é a contradição central que define o estado actual do conflito na passagem marítima por onde circula um quinto do comércio mundial de petróleo.

O “Projecto Liberdade” — a operação militar norte-americana para escoltar navios de países terceiros retidos no estreito desde o início da guerra a 28 de Fevereiro — registou os seus primeiros resultados concretos. Um navio da Maersk conseguiu atravessar o estreito com escolta militar americana, após estar retido no Golfo Pérsico desde o início do conflito, concluindo a travessia sem incidentes com todos os tripulantes em segurança.

O CENTCOM – United States Central Command, um dos principais comandos militares dos EUA – confirmou ainda que as forças norte-americanas destruíram seis lanchas da Guarda Revolucionária iraniana e intercetaram mísseis e drones disparados contra navios de guerra e embarcações comerciais.

Trump proclamou o sucesso e acrescentou que Irão teria perdido a sua capacidade militar estratégica e o conflito estaria praticamente resolvido. Em simultâneo, porém, o Presidente norte-americano reconheceu que o Irão “disparou alguns tiros” contra navios de países não envolvidos no conflito — incluindo um cargueiro sul-coreano —, convidando a Coreia do Sul a juntar-se à missão. Sobre ataques iranianos com drones aos Emirados Árabes Unidos e a Omã, Trump fez silêncio, numa aparente tentativa de desvalorizar as tensões perante o aumento dos preços do petróleo.

Teerão também proclama vitória, e ameaça

Do lado iraniano, a narrativa é espelhada. Um responsável militar iraniano desmentiu que os EUA tivessem afundado qualquer das suas embarcações. O general Ali Abdollahi foi mais longe e deixou um aviso explícito: “Qualquer força militar estrangeira, especialmente o agressivo exército norte-americano, que pretenda aproximar-se ou entrar no Estreito de Ormuz será alvejada.” Teerão exige que os navios que pretendam atravessar o estreito coordenem previamente com as suas autoridades.

Os Emirados Árabes Unidos confirmaram que o Irão disparou dois drones contra um petroleiro afiliado à ADNOC, a sua petrolífera estatal, no estreito de Ormuz, condenando o ataque como “pirataria” por parte da Guarda Revolucionária.

A operação mobiliza contratorpedeiros com mísseis guiados, mais de 100 aeronaves terrestres e navais, drones e 15 mil militares. O comandante do CENTCOM, Brad Cooper, admitiu que a missão é defensiva e decorre em simultâneo com a manutenção do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos. A contradição é evidente: os EUA bloqueiam o Irão e escoltam os outros — numa lógica que Teerão recusa reconhecer como legítima.

O impacto estende-se muito além do petróleo: as tensões no estreito voltaram a pressionar a inflação global num momento em que os bancos centrais já enfrentavam dificuldades para iniciar cortes de juros, podendo adiar ou interromper o ciclo de afrouxamento monetário a nível mundial.

O cessar-fogo frágil em vigor desde 8 de Abril mantém-se formalmente — mas os drones iranianos sobre os Emirados, os mísseis contra navios comerciais e os avisos do exército de Teerão dizem outra coisa. Ormuz está, na prática, numa guerra de baixa intensidade que nenhum dos dois lados quer escalar — mas que nenhum parece capaz de parar.

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