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Angola Cables reforça a posição de hub estratégico do continente africano 

Angola Cables está entre os 25 maiores fornecedores globais de interconectividade, um percurso que se intensificou nos últimos cinco anos, sob a liderança de Ângelo Gama.

Quando Ângelo Gama assumiu a liderança da Angola Cables em 2020, a empresa era um operador grossista de internet com ambições regionais. Hoje é uma plataforma internacional de infraestruturas digitais com mais de 33.000 quilómetros de cabos submarinos próprios, acesso a cerca de 50.000 quilómetros adicionais de infraestruturas e presença em mais de 30 pontos de interligação global. A transformação foi rápida, deliberada, e está longe de ter terminado.

Segundo o ranking da CAIDA — Center for Applied Internet Data Analysis —, a Angola Cables é hoje o operador mais interligado de África e figura entre os 25 maiores fornecedores globais de interconectividade. A rede suporta a ambição de posicionar Angola como hub estratégico de ligação digital entre continentes, numa altura em que a procura global por dados e serviços digitais cresce a um ritmo sem precedentes.

A expansão internacional tem sido conduzida sob a marca TelCables, com operações no Brasil, Nigéria, África do Sul e Europa. O modelo assenta numa lógica de ponte entre economias emergentes e desenvolvidas — e os números financeiros validam a estratégia: a empresa registou um crescimento médio de 22% no EBITDA nos últimos três anos, com uma dependência crescente de receitas internacionais face ao mercado doméstico angolano.

Soberania digital como estratégia

Para além das infraestruturas, a Angola Cables tem investido no desenvolvimento de soluções próprias orientadas para o continente africano. As plataformas Clouds2Africa e Backup2Africa visam reforçar o acesso a serviços de cloud e promover a soberania digital — isto é, garantir que os dados gerados em África não precisam de viajar até à Europa ou aos Estados Unidos para serem processados.

O programa Africa 80/20 vai mais longe: o objectivo é que 80% dos dados e do valor económico gerado em África seja retido no continente. O ACeleraNet, por sua vez, foca-se na capacitação de operadores locais, reconhecendo que a infraestrutura sozinha não basta se não houver um ecossistema capaz de a explorar.

O próximo capítulo passa pela inteligência artificial e pela cloud avançada — áreas em que a Angola Cables prepara novas parcerias. A aposta é clara: que Luanda se afirme, nos próximos anos, como o centro tecnológico de referência de África.

O engenheiro que veio do IST

Ângelo Gama é engenheiro electrotécnico e de computação, formado pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, com mais de duas décadas de experiência no sector. Antes da Angola Cables, liderou o reposicionamento estratégico da Net One — uma das primeiras operadoras de internet sem fios em Angola — e dirigiu o desenvolvimento de negócios da MS Telcom. A carreira inclui também passagens por empresas como Three Mobile e Hewlett-Packard no Reino Unido e na Bélgica, e consultoria para a Atos Origin na Holanda.

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