As acções do UBS, o maior banco da Suíça, ultrapassaram brevemente esta sexta-feira a barreira dos 35 francos suíços, alcançando o nível mais alto desde a crise financeira de 2008. A valorização ocorre num contexto marcado por especulações de que o Governo suíço poderá aliviar as actuais exigências de capital impostas à instituição.
A relação entre o banco e o Executivo tem sido tensa desde que parlamentares — incluindo membros da própria coligação governamental — propuseram medidas para obrigar os grandes bancos a reforçar significativamente os seus fundos de reserva. O objectivo é evitar crises semelhantes à que levou ao colapso do CreditSuisse, em 2023, então a segunda maior instituição financeira do país.
Para travar a falência do Credit Suisse, o Governo federal facilitou a sua aquisição pelo UBS, em condições consideradas muito vantajosas para este último. Após a operação, o Executivo impôs ao UBS novas obrigações, passando a exigir que o banco cobrisse 100% do capital das suas operações internacionais com recursos próprios — uma subida face aos anteriores 60%. A medida implica um esforço adicional estimado em 26 mil milhões de francos suíços (32,3 mil milhões de dólares).
O UBS considera estas exigências excessivas e argumenta que elas colocam o banco em desvantagem competitiva face aos seus concorrentes europeus e norte-americanos. As tensões alimentaram rumores de que a instituição poderia transferir a sua sede para os Estados Unidos — rumores que a administração tem desmentido publicamente.
Entretanto, o banco continua a atravessar um profundo processo de reestruturação após a aquisição do Credit Suisse, que elevou o total de trabalhadores para cerca de 120 mil. Até ao momento, já foram eliminados cerca de 10 mil postos de trabalho, e analistas estimam que pelo menos outros 10 mil possam ser cortados nos próximos anos.