Mercado & Finanças

Recredit cresce em rentabilidade e aproxima-se dos maiores bancos públicos

Criada para gerir activos problemáticos, a Recredit actua sobretudo na recuperação de crédito malparado do Banco de Poupança e Crédito (BPC) e do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA). Só ao BPC, a instituição adquiriu 476 processos de crédito, num montante de 288,87 mil milhões de kwanzas, dos quais já recuperou cerca de 48%.

A Recredit registou um lucro de 53,31 mil milhões de kwanzas (58,3 milhões de dólares) no exercício de 2025, um crescimento de 10% face ao período homólogo, posicionando-se ao nível dos maiores bancos públicos do sistema bancário angolano. A avaliação foi feita pela presidente do Conselho de Administração, Mirian Custódio Ferreira, após a apresentação dos resultados, realizada recentemente numa unidade hoteleira de Luanda.

Segundo a responsável, o desempenho financeiro demonstra a capacidade da instituição em gerar receitas acima dos custos, consolidando a rentabilidade do negócio. “Conseguimos provar que o negócio é rentável”, afirmou, sublinhando que o relatório e contas foi aprovado sem reservas pelo auditor externo, o que confirma a fiabilidade das demonstrações financeiras.

No período em análise, a Recredit superou os objectivos traçados para a recuperação de crédito. A meta fixada em 30 mil milhões de kwanzas foi ultrapassada, atingindo-se 30,7 mil milhões, o equivalente a 103% do previsto. No acumulado, a instituição recuperou 139,13 mil milhões de kwanzas, evidenciando, segundo a administração, uma trajectória de maturidade e eficiência operacional.

A margem financeira ascendeu a 46,88 mil milhões de kwanzas, representando um crescimento de 15% face ao ano anterior. Já a rentabilidade do capital próprio (ROE) fixou-se em 16%, acima da média das entidades de gestão de activos problemáticos em mercados africanos emergentes e também superior aos níveis médios do sector bancário angolano, que variam entre 10% e 13%.

Outro indicador destacado pela gestão foi a autonomia financeira, que atingiu 99% em 2025, permitindo à instituição operar praticamente apenas com capitais próprios. De acordo com o Conselho de Administração, esta característica reduz a exposição ao risco de financiamento, constituindo uma vantagem num contexto de taxas de juro elevadas e volatilidade cambial.

Apesar dos resultados positivos, a administração alertou para constrangimentos no processo de recuperação de crédito, nomeadamente a morosidade dos tribunais especializados. Até 31 de Dezembro de 2025, encontravam-se em tramitação processos avaliados em 422,20 mil milhões de kwanzas, o que tem condicionado o ritmo de recuperação.

Os resultados agora apresentados reforçam o posicionamento da Recredit no sistema financeiro nacional, evidenciando ganhos de eficiência e sustentabilidade na gestão de activos problemáticos.

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