Donald Trump manifestou insatisfação com a mais recente proposta do Irão para reabrir o Estreito de Ormuz e pôr fim ao conflito em curso, segundo fontes com conhecimento das discussões realizadas na Sala de Situação da Casa Branca.
A proposta iraniana previa a reabertura desta rota estratégica para o comércio global de petróleo, em troca do fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos. No entanto, deixava de fora um dos pontos centrais do impasse entre os dois países: o programa nuclear iraniano.
De acordo com responsáveis norte-americanos e iranianos, Irão continua a rejeitar suspender o seu programa nuclear ou entregar as reservas de urânio altamente enriquecido, uma exigência reiterada por Washington.
Embora não tenha sido especificado o motivo exacto da rejeição, Trump tem insistido que Teerão não pode, em nenhuma circunstância, possuir armas nucleares. Fontes da administração indicam ainda que aceitar o acordo, nos moldes propostos, poderia ser interpretado como uma concessão política sem ganhos claros para os Estados Unidos.
A Casa Branca evitou comentar directamente a posição do presidente, mas garantiu que as negociações irão prosseguir. “Os Estados Unidos não negociam através da imprensa. O presidente apenas aceitará um acordo que seja benéfico para o povo americano e para o mundo”, afirmou a porta-voz Olivia Wales.
Estreito de Ormuz é uma das principais artérias do transporte global de petróleo, e o seu encerramento parcial tem provocado perturbações significativas nos mercados energéticos e financeiros.
A proposta iraniana surge num contexto de forte pressão económica sobre Teerão, mas também de divisão dentro da administração norte-americana quanto à melhor estratégia a adoptar.
Enquanto alguns responsáveis defendem a continuação do bloqueio por mais tempo — argumentando que isso poderá causar danos estruturais à indústria petrolífera iraniana — outros consideram que a posição do Irão se tem tornado mais rígida, reduzindo a probabilidade de concessões.
O plano foi analisado por Trump após ter sido entregue pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, no domingo, no Paquistão. O presidente norte-americano já tinha rejeitado uma proposta anterior e cancelado uma ronda de negociações prevista para Islamabad.
Segundo avaliações do governo dos Estados Unidos, os negociadores iranianos não têm mandato para fazer concessões significativas sobre o programa nuclear, o que tem bloqueado qualquer avanço nas conversações.
Trump tem também expressado publicamente frustração com a liderança iraniana, apontando divisões internas entre sectores mais radicais e moderados.
A possibilidade de separar temporariamente a questão nuclear das negociações sobre o Estreito de Ormuz tem sido vista como uma solução para aliviar a pressão sobre os mercados globais. No entanto, tal opção poderia ser interpretada como um fracasso na tentativa de forçar Teerão a negociar o seu programa nuclear.
Outro ponto sensível prende-se com a intenção do Irão de manter a cobrança de taxas sobre navios que atravessem o estreito — uma prática historicamente contestada pelos Estados Unidos, que defendem a liberdade de navegação em águas internacionais.
Sem consenso sobre os termos do acordo e com posições cada vez mais endurecidas, o cenário aponta para um prolongamento das tensões, com impactos potenciais no abastecimento global de energia e na estabilidade regional.