Internacional

David Hockney morreu. A piscina, o iPad e a luz que nunca perdeu

O pintor britânico morreu ontem em casa, aos 88 anos. Durante mais de seis décadas, Hockney reinventou-se constantemente — das piscinas de Los Angeles às paisagens digitais criadas no iPad — e tornou-se um dos artistas mais populares e mais caros do mundo.

David Hockney morreu na quinta-feira, 11 de Junho, na sua casa, a um mês de completar 89 anos. Nascido em 1937 em Bradford, no norte de Inglaterra, passou a vida a contrariar expectativas: foi um dos primeiros artistas a retratar a intimidade gay numa época em que era ilegal no Reino Unido, reinventou a pintura paisagística na era digital e chegou aos seus últimos anos a criar obra num iPad com a mesma energia que demonstrava aos vinte.

A obra mais icónica — A Bigger Splash, de 1967, com a piscina californiana e o esguicho branco suspenso no ar — tornou-se uma das imagens mais reconhecidas da segunda metade do século XX. Mas Hockney nunca ficou preso a um estilo ou a um suporte. Pintou, fotografou, criou cenografias para ópera, explorou a fotocolagem e, nas últimas décadas, abraçou os dispositivos digitais com um entusiasmo que desconcertou os puristas e deliciou o público. As suas paisagens do Yorkshire pintadas no iPhone e no iPad, expostas a partir de 2012, mostraram que tinha encontrado na tecnologia um meio tão expressivo como o óleo.

Em 2018, Portrait of an Artist (Pool with TwoFigures) foi vendido em leilão em Nova Iorque por 90 milhões de dólares — um recorde para uma obra de um artista vivo à época. O preço reflectia não apenas o mercado, mas décadas de presença ininterrupta na consciência cultural global.

Hockney era também uma voz. Fumador assumido e crítico das políticas anti-tabaco, defensor da liberdade individual, interlocutor privilegiado de críticos e filósofos, o artista nunca abandonou a dimensão pública. A sua visão era declaradamente optimista — “Eu acho que a vida é maravilhosa”, disse em várias entrevistas — e essa qualidade atravessa toda a obra: cores saturadas, luz generosa, prazer sem culpa.

Considerado o artista britânico mais influente do seu tempo, Hockney deixa uma obra que atravessa gerações e meios. A pergunta que agora se coloca ao mundo da arte é se alguém será capaz de fazer o mesmo — reinventar-se continuamente durante sessenta anos sem perder o fio à identidade.

Relacionadas

Trump diz que acordo com o Irão está “em fase

Uma calma tensa instalou-se no Golfo Pérsico esta sexta-feira depois

David Hockney morreu. A piscina, o iPad e a luz

O pintor britânico morreu ontem em casa, aos 88 anos.

Mercury assina dois acordos no ANGOTIC e aposta em parcerias

A Mercury assinou esta semana, à margem do ANGOTIC 2026,