Em Maio, os Estados Unidos exportaram 10,5 milhões de barris de petróleo e combustíveis refinados por dia, ultrapassando pela primeira vez a Arábia Saudita e a Rússia. É o terceiro mês consecutivo no topo do ranking. O conflito com o Irão acelerou uma tendência que vinha a construir-se há quinze anos — mas ainda é cedo para falar de liderança consolidada.
Os Estados Unidos tornaram-se em Maio o maior exportador de petróleo do mundo. As exportações de crude e combustíveis refinados atingiram 10,5 milhões de barris por dia, segundo dados de monitorização de embarcações da consultora Vortexa, ultrapassando a Arábia Saudita e a Rússia pelo terceiro mês consecutivo. As exportações de petróleo bruto isoladamente atingiram um recorde de 5,6 milhões de barris diários, segundo a Reuters.
A reviravolta tem raízes estruturais, mas foi o conflito com o Irão que a precipitou. A guerra iniciada em Fevereiro perturbou os fluxos do Médio Oriente e o encerramento do Estreito de Ormuz retirou do mercado parte da capacidade de exportação saudita e dos países do Golfo, abrindo espaço para os fornecedores alternativos — com os EUA na posição mais favorável para beneficiar da disrupção.
A trajectória de longo prazo, porém, é anterior ao conflito. A produção total americana quase triplicou desde 2000 e atinge hoje 22 milhões de barris por dia — um crescimento impulsionado pela revolução do xisto a partir de 2010. Em 2015, Washington levantou a proibição de exportações que vigorava há 40 anos, herdada do embargo árabe de 1973, e abriu caminho para que os EUA passassem de importadores dependentes do Médio Oriente a concorrentes directos dos países que os tinham embargado.
Há, no entanto, razões para cautela antes de declarar a liderança consolidada. O recorde de Maio coincide com uma perturbação excepcional do mercado global. Quando — e se — o conflito no Médio Oriente se resolver e o Estreito de Ormuz reabrir em pleno, parte da procura que hoje se dirige ao crude norte-americano voltará às fontes habituais. A posição dos EUA no topo do ranking reflecte tanto a sua capacidade produtiva real como as circunstâncias geopolíticas de um momento pontual. Se a liderança é estrutural ou conjuntural, só o fim do conflito o confirmará.