Internacional

Trump diz que acordo com o Irão está “em fase final”. Teerão responde que “nada está concluído”

Uma calma tensa instalou-se no Golfo Pérsico esta sexta-feira depois de Trump anunciar que suspendeu os ataques ao Irão e afirmar que um acordo de paz está “em fase bastante final.” O Irão não confirmou qualquer avanço. As declarações contraditórias resumem um conflito que entra no quarto mês sem resolução à vista.

Donald Trump anunciou na quinta-feira à tarde que cancelou novos ataques ao Irão e que um acordo de paz poderá ser assinado “talvez este fim-de-semana, na Europa”, com a participação do vice-presidente JD Vance. O acordo incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz, a via marítima que Teerão encerrou efectivamente em retaliação pelos ataques americanos e israelitas que iniciaram a guerra a 28 de Fevereiro.

O Irão respondeu com cautela. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros declarou, citado pela televisão estatal, que “nada está concluído.” As declarações contraditórias das duas partes tornaram-se o padrão de um conflito que alterna entre escaladas militares e promessas de acordo que não se concretizam.

O dia tinha começado com mais uma troca de ataques. Trump chegou a ameaçar bater no Irão “MUITO FORTE” — em maiúsculas, nas redes sociais —, para horas depois recuar e anunciar a suspensão das operações. É a mesma oscilação que tem marcado as últimas semanas: ameaças beligerantes seguidas de promessas de paz, num ciclo que os aliados e os mercados já não sabem como interpretar.

Sobre a questão nuclear — o principal ponto de bloqueio nas negociações —, Trump admitiu que continua a ser discutida apenas “conceptualmente.” Israel não está directamente envolvido nas negociações entre Washington e Teerão, mas o gabinete de Benjamin Netanyahu confirmou que o primeiro-ministro falou com Trump e “expressou o seu apreço” por qualquer acordo final incluir restrições ao programa nuclear iraniano. A declaração israelita referiu-se a um “memorando de entendimento a ser finalizado com o Irão”, sem dar detalhes.

O conflito entra no quarto mês com apoio interno em queda nos Estados Unidos. Trump enfrenta eleições intercalares em Novembro e a inflação americana nos 4,2% — em parte consequência directa do encerramento do Estreito de Ormuz. Um acordo seria o maior trunfo político da sua presidência. A questão é se as declarações desta sexta-feira representam uma táctica de pressão ou um avanço diplomático real — e o Irão, por enquanto, recusa confirmar qual das duas hipóteses é verdadeira.

 

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