Mercados Financeiros

OPV da Ethio Telecom ficou muito aquém das expectativas

A OPV (Oferta Pública de Venda) da UNITEL, em Angola, não foi caso único de empresas de telecomunicações em África no ano de 2026.

A Ethio Telecom, a operadora estatal da Etiópia, avançou também com a venda de uma participação minoritária de 10% no início de 2026 para atrair investimento privado, arrecadando perto de 150 milhões de dólares, números que ficaram muito aquém das expectativas.

O governo etíope ofereceu 10% da operadora estatal, mas apenas 1,5 bilião de birr (26 milhões de dólares) veio do público em geral, sendo o restante adquirido por instituições públicas. O primeiro-ministro, Abiy Ahmed, esperava que esta oferta simbolizasse o compromisso da Etiópia com a liberalização de seu sector de telecomunicações e atraísse capital estrangeiro. Mas tal não sucedeu.

A Ethio Telecom, operadora com mais de 72 milhões de assinantes, continua a ser um pilar importante dos planos de reforma económica mais amplos do governo. No entanto, apesar do optimismo gerado pelo anúncio do IPO em 2021, as dificuldades económicas locais, a escassez de divisas e os conflitos regionais abalaram fortemente a confiança dos investidores.

O fracasso do OPV da Ethio Telecom não deixou de ser um duro golpe para os planos ambiciosos da Etiópia de modernização da economia e do seu mercado de telecomunicações, levantando questões mais profundas sobre a atractividade de activos públicos em ambientes políticos instáveis.

A tendência mais ampla nos mercados emergentes também é preocupante. As privatizações em países como Nigéria e Quénia enfrentaram dificuldades semelhantes, reflectindo riscos políticos, instabilidade cambial e incerteza regulatória que sobrecarregam os negócios de telecomunicações. A incapacidade da Ethio Telecom de despertar forte interesse dos investidores sugere que o governo precisa repensar sua estratégia de privatização e melhorar o ambiente de investimento.

Sem reformas significativas, futuras vendas de activos – incluindo uma segunda licença de telecomunicações que a Etiópia pretende conceder – podem ficar aquém das expectativas e enfraquecer as perspectivas de crescimento digital e modernização económica na região.

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