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Gianni Gaspar Martins: o empresário por trás da Alfort Petroleum, da Fundação GGM, da Sanlam Allianz e do Sporting de Luanda

Empresário de 39 anos consolidou nos últimos anos uma presença multissectorial em Angola, entre o petróleo, o desporto e a filantropia. Notícias recentes, mas não totalmente confirmadas pelo Mercado, colocam o empresário como o segundo maior accionista da Sanlam Allianz Angola.

Gianni Policarpo Gaspar Martins tornou-se, nos últimos anos, um dos nomes mais visíveis do empresariado angolano mais jovem, com presença assumida em vários sectores da economia do país — do petróleo ao desporto, passando pela filantropia.

Com mais de duas décadas de experiência na área da energia, segundo a sua própria biografia institucional, Gianni Martins é fundador e director-geral da Alfort Petroleum desde Setembro de 2022, empresa através da qual passou a controlar, ainda nesse ano, o Bloco KON 8, um activo petrolífero onshore em Angola. Em entrevistas ao sector, incluindo à publicação The Energy Year, tem discursado sobre os avanços da exploração naquele bloco e sobre as perspectivas do sector petrolífero angolano.

A ascensão da Alfort Petroleum não esteve isenta de escrutínio público. Órgãos de imprensa angolanos têm associado o crescimento da empresa ao facto de Gianni Martins ser filho de Sebastião Gaspar Martins, actual presidente do Conselho de Administração da Sonangol — uma ligação familiar que motivou acusações de nepotismo por parte de alguma imprensa crítica, segundo a qual a estatal petrolífera terá financiado a participação da empresa privada do filho do seu presidente com um valor citado de 35 milhões de dólares. Não há, contudo, confirmação oficial independente destes valores por parte da Sonangol ou da Alfort Petroleum.

Fundação, filantropia e desporto

Fora do sector energético, Gianni Martins preside à Fundação Gianni Gaspar Martins (GGMF), organização não governamental sediada em Angola, dedicada ao desenvolvimento humano nas áreas da saúde, educação, arte e cultura, com projectos voltados para crianças, adolescentes e jovens adultos. A fundação, que o próprio empresário diz manter sem financiamento governamental, tem promovido iniciativas como o projecto GeoStratos & Kandengues Cientistas, que leva crianças a expedições educativas na Reserva da Biosfera da Quiçama — projecto que venceu, este ano, o Prémio Forbes Responsabilidade Social 2026, na categoria Heróis Anónimos, batendo concorrentes como a Associação O Mundo Ler e a Liga Angolana contra o Cancro.

Desde Abril de 2024, Gianni Martins preside também ao Sporting Clube de Luanda, tendo liderado um processo de revitalização do clube que o colocou, esta época, muito perto de garantir a subida à Liga Unitel Girabola, a primeira divisão do futebol angolano, depois de o emblema ter terminado a época anterior em segundo lugar na segunda divisão. Segundo a direcção do clube, a aposta na equipa tem sido acompanhada por bolsas de estudo para atletas de diferentes modalidades, através da própria fundação do empresário.

A alegada ligação à Sanlam Allianz

O site institucional do empresário, gianni-martins.com, inclui a Sanlam Allianz entre as áreas associadas à sua actividade, apresentando a seguradora como parte do seu “legado de confiança” na promoção de soluções de protecção e serviços financeiros em Angola. Esta afirmação não foi, contudo, confirmada por fontes independentes: a Sanlam Allianz é uma multinacional sul-africano-alemã de seguros, resultante de uma parceria entre o grupo Sanlam e a Allianz, e não há registo público de que Gianni Martins detenha um cargo executivo ou uma participação accionista relevante na operação angolana da seguradora, ainda que notícias mais recentes, a partir do Relatório e Contas de 2025 da seguradora assim o indiquem, bem como a referência no site pessoal do empresário.

Um percurso ainda em construção

Aos 39 anos, Gianni Martins descreve-se como engenheiro de petróleo, atleta, filantropo e “pai dedicado”, e tem procurado construir uma imagem pública associada à transformação social e ao investimento estratégico em Angola — incluindo através da Global Inn Investments, outra das iniciativas empresariais associadas ao seu nome. Em entrevistas recentes, tem defendido a necessidade de Angola contar com “líderes que ocupem cargos com o objectivo de fazer a diferença”, posicionando-se como parte de uma nova geração de empresários angolanos com actuação em múltiplos sectores da economia nacional.

Dada a proximidade familiar com a liderança da Sonangol e a natureza de alguns dos seus negócios — nomeadamente os termos exactos do financiamento e da propriedade de activos como o Bloco KON 8 —, o percurso empresarial de Gianni Martins continua a ser acompanhado com atenção pelos media, tanto pelos projectos de impacto social que promove como pelas questões que a sua ascensão no sector petrolífero tem suscitado.

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