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Senador Lindsey Graham, aliado próximo de Trump, morre aos 71 anos após “doença súbita”

O senador norte-americano Lindsey Graham, um dos aliados mais próximos do Presidente Donald Trump no Congresso e uma das vozes mais influentes de Washington em política externa, morreu aos 71 anos, na noite de sábado, após uma “doença breve e súbita”, anunciou o seu gabinete.

O comunicado, publicado nas redes sociais na madrugada de domingo, referiu que a família do senador “agradece as orações neste momento e pede privacidade durante este período extremamente difícil”. Não foram avançados quaisquer outros pormenores sobre as circunstâncias da morte do proeminente republicano da Carolina do Sul, antigo advogado da Força Aérea que serviu no Congresso durante três décadas.

Trump, que falava frequentemente com Graham, disse que este era “como um membro da família. É muito duro.” Em declarações ao programa “Meet thePress”, da NBC, o Presidente afirmou que Graham lhe tinha telefonado no sábado à noite, depois de regressar de uma viagem à Ucrânia, e que “parecia um pouco cansado, mas óptimo”. Trump ordenou que as bandeiras em todo o país fossem hasteadas a meia haste até ao final de sábado.

Conhecido como “falcão” em matéria de política externa, Graham era uma das figuras mais influentes de Washington nesta área e aconselhava Trumpsobre temas como a guerra no Irão e a Rússia. Na sexta-feira, tinha anunciado um acordo com a administração Trump para avançar com um novo pacote de sanções contra a Rússia.

Como presidente da Comissão de Orçamento do Senado, Graham desempenhava também um papel central no segundo mandato de Trump, numa altura em que os republicanos têm vindo a aprovar legislação relevante em votações por linhas partidárias, com uma maioria apertada de 53 lugares contra 47 na câmara.

De acordo com a lei da Carolina do Sul, o governador republicano Henry McMaster vai nomear um substituto temporário para Graham, que procurava um quinto mandato nas eleições de Novembro. Um novo candidato será escolhido numa primária especial, que deve realizar-se dentro de poucas semanas após a vacatura do lugar. O vencedor das eleições gerais de Novembro iniciará um mandato completo de seis anos em Janeiro.

Uma relação próxima e complicada com Trump

Eleito para o Senado em 2002, depois de ter passado pela Câmara dos Representantes, Graham defendeu, ao longo de décadas, uma política de forte intervencionismo militar norte-americano e de defesa nacional robusta, posição que, com o tempo, o colocaria em rota de colisão com a ala isolacionista, cada vez mais influente no seu partido.

Graham tornou-se conhecido pela sua relação próxima com Trump, contra quem chegou a concorrer, ainda que de forma breve, na corrida à nomeação presidencial republicana de 2016. A relação entre os dois começou de forma conturbada: Graham chegou a classificar o então empresário nova-iorquino como “inapto para o cargo” e usou um insulto para o descrever, depois de Trump ter feito comentários depreciativos sobre o senador republicano do Arizona John McCain, o melhor amigo de Graham no Senado e veterano da Guerra do Vietname. McCain e Graham, juntamente com o senador independente Joe Lieberman, do Connecticut, eram conhecidos como os “Três Amigos” e viajavam frequentemente juntos para promover as suas posições de política externa pelo mundo.

Durante um comício de campanha na Carolina do Sul, Trump chegou a ler em voz alta o número de telemóvel pessoal de Graham, e continuou a diminuí-lo ao longo da corrida de 2016, enquanto Graham deixava claro que não o apoiaria.

Ainda assim, Graham mudou significativamente de posição depois de Trump vencer as eleições, tornando-se um dos seus principais aliados — falando com ele com frequência e sendo presença regular nos campos de golfe ao lado do Presidente — mesmo quando McCain se manteve crítico do republicano.

A morte de Graham surge poucos dias depois de o senador Mitch McConnell, do Kentucky, ter completado quase um mês hospitalizado por razões de saúde ainda não reveladas, e semanas depois de o deputado republicano Tom Kean, de Nova Jérsia, ter revelado que a sua ausência prolongada do Congresso se deveu a um tratamento para depressão — dois episódios que já tinham reacendido o debate em Washington sobre a transparência dos representantes eleitos quanto ao seu estado de saúde.

 

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