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Francesa GTT constrói o maior FLNG do mundo e reforça presença nos mega-projectos de gás de África

A empresa francesa GTT, especialista em sistemas de contenção criogénica, garantiu um contrato para o que vai ser o maior navio de gás natural liquefeito flutuante (FLNG) do mundo, ao mesmo tempo que expande o seu papel na indústria de GNL em África, através de vários projectos de gás offshore no continente.

A GTT foi seleccionada pela Samsung HeavyIndustries (SHI), sua cliente de longa data, para desenhar os tanques de armazenamento criogénico de GNL do Delfin FLNG 1, a primeira unidade flutuante de exportação de gás natural liquefeito a ser instalada nos Estados Unidos. A unidade, desenvolvida pela Delfin Midstream para operar ao largo da Louisiana, deverá tornar-se a maior FLNG do mundo, com uma capacidade de produção anual de 4,4 milhões de toneladas de GNL.

O navio vai integrar oito tanques criogénicos, dispostos em duas filas, com uma capacidade combinada de armazenamento de 180.000 metros cúbicos, incorporando o sistema de contenção por membrana Mark III Flex, tecnologia proprietária da GTT concebida para resistir a condições offshore exigentes, incluindo furacões.

O presidente executivo da GTT, François Michel, classificou o projecto como inédito em escala, sublinhando que vai contribuir para expandir a oferta global de GNL e demonstrar a capacidade da tecnologia de membrana da empresa em responder às exigências de desempenho, fiabilidade e segurança dos grandes projectos offshore.

O contrato surge depois de, em Junho, a DelfinMidstream ter emitido à Samsung Heavy Industries uma ordem de avanço (“notice to proceed”) no valor de 2,9 mil milhões de dólares para a construção do navio, cuja entrega está prevista para meados de 2030.

Presença crescente em África

Para além do mercado norte-americano, a GTT está a reforçar a sua presença no sector de GNL em África, onde as unidades flutuantes são cada vez mais vistas como a via mais rápida para comercializar as vastas descobertas de gás offshore do continente. A empresa já tinha sido contratada anteriormente pela Samsung Heavy Industries para desenhar os tanques de membrana criogénica de uma unidade FLNG destinada a África, o que reforça o seu papel crescente na expansão do gás offshore no continente.

O ecossistema francês do GNL tem, de resto, um papel central nesta expansão. A Technip Energies foi determinante na construção da Coral Sul FLNG, o primeiro projecto de gás natural liquefeito flutuante em águas profundas de África, ao largo de Moçambique, que iniciou as exportações de GNL em 2022. Este ano, a Technip Energies garantiu, em parceria com a JGC e a Samsung Heavy Industries, um novo e significativo contrato ligado ao desenvolvimento da Coral Norte FLNG, o segundo projecto flutuante de GNL em Moçambique, concebido como uma réplica melhorada da Coral Sul. Este novo contrato, cujo valor conjunto com adjudicações anteriores ultrapassa mil milhões de euros (cerca de 1,14 mil milhões de dólares), foi definitivamente adjudicado a 8 de Junho e abre caminho à execução do projecto, que a Eni e os seus parceiros (CNPC, ENH, XRG e KOGAS) esperam colocar em produção a partir da segunda metade de 2028, com uma capacidade de cerca de 3,6 milhões de toneladas anuais — o que duplicará a capacidade total do “hub” de Coral para 7 milhões de toneladas por ano.

Juntas, a Technip Energies e a GTT estão a fornecer tecnologia e engenharia essenciais à próxima geração de infra-estruturas de GNL em África.

A conjuntura é favorável a este tipo de investimento. Vários países africanos têm vindo a acelerar planos para rentabilizar as suas reservas de gás offshore através de projectos FLNG, normalmente mais rápidos e menos exigentes em capital do que as tradicionais unidades de liquefacção em terra. Moçambique continua a ser o principal mercado de FLNG do continente, enquanto o Senegal e a Mauritânia já iniciaram a produção no projectoconjunto Greater Tortue Ahmeyim. Na Namíbia, a sucessão de descobertas de gás offshore tem alimentado expectativas de futuros projectosflutuantes de GNL, e a Tanzânia continua a avançar na comercialização dos seus significativos recursos de gás offshore.

Com a procura global de GNL a manter-se robusta, sobretudo na Europa e na Ásia, as empresas francesas posicionam-se na linha da frente das tecnologias que podem transformar África num dos “hubs” de exportação de GNL de crescimento mais rápido do mundo na próxima década.

 

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