O Brent caiu cerca de 1%, depois de o Irão ter elogiado as conversações com a Arábia Saudita, a Turquia e o Paquistão. Mas os sinais de escalada multiplicam-se: Netanyahu quereria atacar o Irão antes das eleições de hoje, e Trump diz que o anterior cessar-fogo foi “uma perda de tempo”.
Os preços do petróleo recuaram esta terça-feira, alimentados pela esperança de progressos diplomáticos rumo a uma trégua duradoura no Médio Oriente. O Brent, referência para a Europa, caiu cerca de 1%, para perto de 115 dólares por barril, depois de ter tocado nos 117 dólares na segunda-feira, o valor mais alto desde Abril. O WTI norte-americano recuou para cerca de 101 dólares.
Responsáveis iranianos classificaram como “muito boas” as conversações mantidas na segunda-feira, em Teerão, com representantes do Paquistão, da Arábia Saudita e da Turquia. Segundo a imprensa estatal iraniana, os quatro países acordaram continuar o diálogo sobre a cooperação em matéria de paz e segurança. Para os analistas, a descida reflecte sobretudo a realização de lucros depois da forte subida dos últimos dias, já que os preços “continuam elevados no meio de incertezas geopolíticas persistentes”, nas palavras de SugandhaSachdeva, da SS WealthStreet.
Sinais de escalada
Outros sinais apontam no sentido contrário. A imprensa israelita e internacional noticiou que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, queria atacar o Irão antes das eleições legislativas que decorrem hoje em Israel. E nos Estados Unidos, a uma semana das intercalares de 3 de Novembro, o Presidente Donald Trump afirmou num comício que o anterior cessar-fogo com Teerão tinha sido “uma perda de tempo”.
O mercado continua vulnerável. Os fluxos de petróleo pelo estreito de Ormuz estão em cerca de 60% do normal, segundo a ANZ Research, e as exportações de crude do Golfo caíram pela quarta semana consecutiva. Um centro de estudos de Washington diz que Outubro foi o pior mês de que há registo, desde 2017, em ataques à navegação comercial no estreito e nas águas próximas. Os Huthis, aliados do Irão, voltaram também a atacar a Arábia Saudita. Dizem ter atingido estações de bombagem do oleoduto Leste-Oeste, mas Riade não o confirmou.
“O facto de uma nova campanha militar fazer pouco sentido não significa que não vá acontecer”, resumiu o principal comentador de política internacional do Financial Times.