Economia

Do Lobito à Beira: Moçambique propõe plataforma lusófona para os corredores de desenvolvimento

No Fórum de Investimento da África Lusófona, em Cabo Verde, Maputo e Luanda defenderam corredores que criem emprego e negócios, e não apenas movimentem carga. O ministro angolano dos Transportes quer ligar o Lobito ao Índico e considera “um absurdo” que os corredores africanos concorram entre si.

Moçambique propôs aos países africanos de língua portuguesa e à Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla inglesa) a criação de uma plataforma lusófona de investimento em corredores de desenvolvimento, que ligue o Lobito, em Angola, à Beira e a Nacala, em Moçambique. O objectivo é “partilhar o que funciona e preparar projectosbancáveis”, explicou o ministro moçambicano SalimValá, num painel do 2.º Fórum de Investimento da África Lusófona, que termina hoje na ilha do Sal, em Cabo Verde.

“Não se invista apenas nos portos: deve investir-se no que eles tornam possível”, defendeu. A ideia é “transformar corredores de trânsito em corredores de desenvolvimento”, medindo o emprego e os negócios criados em vez de contar apenas as toneladas de carga.

“Temos mesmo de dar as mãos”

A visão foi partilhada pelo ministro dos Transportes de Angola, Ricardo Viegas d’Abreu, que manifestou a ambição de ligar o corredor do Lobito ao Índico, através do corredor da Beira ou da Tanzânia. Para o governante, é “um absurdo” que os corredores logísticos em África concorram entre si, quando deviam complementar-se. “Temos mesmo de dar as mãos”, afirmou.

Viegas d’Abreu sugeriu que o fórum crie formas de acompanhar os projectos e identificar oportunidades. Deu como exemplo uma plataforma geoespacialangolana, disponível em linha, que mapeia o potencial de desenvolvimento ao longo do corredor do Lobito e já identificou 144 oportunidades de investimento.

Promovido pela IFC, a instituição do Grupo Banco Mundial dedicada ao sector privado, o fórum tem como tema “Investir na África Lusófona: Potenciar corredores, desenvolver o agronegócio e impulsionar um turismo sustentável”. O objectivo é aproximar as oportunidades de investimento dos PALOP do capital internacional. Nos últimos cinco anos, a IFC mobilizou cerca de 1,2 mil milhões de dólares, perto de mil milhões de euros, em dez projectos nos países africanos de língua portuguesa.

 

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