O Grupo Nedbank – presente em oito países africanos, em Angola tem um escritório de representação – está a acelerar o investimento em inteligência artificial (IA) e na banca digital, procurando criar novas fontes de receita e reforçar o combate à fraude.
O director-executivo (CEO), Jason Quinn, em declarações à cadeia CNBC Africa afirmou que o banco está a integrar a IA nas suas operações de banca de retalho, empresarial e institucional, privilegiando aplicações práticas que proporcionem retornos mensuráveis. Segundo o responsável, a estratégia passa por adoptar uma abordagem disciplinada na comercialização da IA, em vez de seguir todas as novas tendências tecnológicas que vão surgindo.
“Na nossa área de banca pessoal e privada, temos em curso um vasto programa para não apenas modernizar a nossa aplicação bancária, mas também torná-la mais digital e orientada para a IA”, afirmou. Acrescentou que novas funcionalidades, incluindo a negociação de acções em linha, deverão começar a ser disponibilizadas durante o terceiro trimestre, no âmbito de um programa faseado de modernização, estando previstas funcionalidades adicionais para o próximo ano.
A nível mundial, as empresas estão a investir milhares de milhões de dólares para tirar partido da esperada revolução da inteligência artificial, enquanto os governos procuram garantir que os seus países beneficiam desta transformação. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que, nas circunstâncias adequadas, a IA poderá aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) da África Subsaariana em cerca de 4% ao longo da próxima década.
Quinn revelou ainda que o banco está a desenvolver o Nedbank Business Hub, uma plataforma baseada em inteligência artificial destinada aos clientes da área de Banca Empresarial e Comercial do Nedbank. Em vez de desenvolver vários projectos de IA em simultâneo, o banco optou por concentrar os seus esforços num número reduzido de casos de utilização de elevado impacto e com potencial de comercialização.
O Banco da Reserva da África do Sul tem vindo a destacar a crescente adopção da inteligência artificial e de outras tecnologias no sector financeiro sul-africano, sublinhando a importância de uma governação adequada e de uma gestão rigorosa dos riscos. Por sua vez, a Associação Bancária da África do Sul considera a transformação digital, incluindo a inteligência artificial, uma prioridade estratégica para os seus bancos associados.
Resultados
O Nedbank registou um crescimento de 2% nos lucros por acção diluídos (headline earnings per share) e lucros principais praticamente estáveis, de cerca de 8,4 mil milhões de rands.
“À primeira vista, um crescimento de 2% nos lucros por acção diluídos pode não parecer extraordinário”, afirmou Quinn. “Mas, excluindo determinados factores, o crescimento subjacente aproxima-se dos 15%, o que demonstra a forte melhoria da dinâmica das receitas, os benefícios da reestruturação reflectidos na redução dos custos e uma maior eficiência do capital, impulsionada pelo programa de recompra de acções realizado no ano passado.”
As receitas cresceram 6%, superando o aumento de 3% das despesas, enquanto os empréstimos e os depósitos registaram ambos uma expansão de 7%, reflectindo o dinamismo das operações de banca de retalho, comercial e empresarial do grupo.