ART CUT’26 reúne artistas, curadores e universidades católicas de vários países, com uma programação centrada no conceito africano de Ubuntu e no papel da arte na aproximação entre culturas.
Luanda acolhe, entre 29 de Outubro e 20 de Dezembro, a ART CUT’26 – Trienal de Arte das Universidades Católicas, uma iniciativa internacional promovida pelo Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, que pretende explorar o papel da criação artística na promoção da empatia, do diálogo intercultural e do reconhecimento do outro.
Sob o lema internacional Exercises in Empathy (Exercícios de Empatia), a participação angolana assume o título «Exercícios em Empatia: Ubuntu», colocando no centro da reflexão um conceito de origem africana associado à humanidade partilhada, à interdependência e à importância das relações entre os indivíduos.
Organizada em colaboração com a Universidade Católica de Angola (UCAN), a iniciativa terá actividades expositivas em três espaços da capital angolana. A Universidade Católica de Angola, no Pólo Académico do Palanca, acolherá a abertura, enquanto o Hotel Globo receberá uma segunda exposição. O FAS Project Space apresentará, por sua vez, uma obra em vídeo do artista Julianknxx.
A programação propõe uma reflexão sobre a forma como a arte pode contribuir para aproximar pessoas e culturas, num contexto em que a diversidade de perspectivas e o entendimento mútuo assumem particular importância. A iniciativa procura, assim, estabelecer uma ligação entre a estética, a ética e a convivência social, valorizando a capacidade da criação artística para questionar preconceitos e promover novas formas de compreender a experiência humana.
A curadoria geral está a cargo de Nuno Crespo, sendo a equipa de curadoria local constituída por Kiluanji Kia Henda, Mehak Vieira, Osvaldo Sebastião da Silva e Suzana Sousa.
Angola reforça presença nos circuitos internacionais da arte
A realização da ART CUT’26 em Luanda constitui uma oportunidade para ampliar a projecção internacional da arte contemporânea angolana e reforçar a participação do país nos debates culturais que ultrapassam as fronteiras nacionais.
Ao reunir artistas, curadores, académicos, estudantes e público em geral, a Trienal pretende estimular o intercâmbio de ideias e experiências, dando visibilidade à diversidade das expressões artísticas e às narrativas que integram o panorama cultural africano.
A iniciativa não se limita à apresentação de obras. Procura também criar um espaço de debate sobre a identidade, a compreensão entre os povos e o contributo da arte para a construção de sociedades mais abertas à diferença e ao diálogo.
Outro dos objectivos passa por aproximar a universidade da sociedade, proporcionando à comunidade académica e ao público oportunidades de contacto com a produção artística contemporânea. Neste sentido, a extensão universitária surge como instrumento de promoção do conhecimento, de participação cultural e de ligação entre a academia e a comunidade.
Empatia como resposta à desumanização
A dimensão ética da iniciativa é sublinhada pelo cardeal José Tolentino de Mendonça, que apresenta a Trienal como uma oportunidade para transformar a arte numa escola de empatia, capaz de aproximar diferentes áreas do conhecimento e incentivar o reconhecimento mútuo.
«A primeira Trienal de Arte Contemporânea das Universidades Católicas como escola da empatia. Pois o conceito oferece um estímulo fecundo para colocar em diálogo a estética e a ética e, ao mesmo tempo, para incentivar todos os saberes a uma conversação interdisciplinar, aproximando-nos uns dos outros para realizar juntos esse exercício exigente, paciente, mas apaixonante que é, no fundo, o reconhecimento mútuo», afirma.