Negócios

Galp e Moeve desistem de juntar refinação e postos de combustível

Dez meses depois de anunciarem negociações para criar um gigante ibérico do downstream, a Galp e a dona espanhola da antiga Cepsa não chegaram a acordo. A refinaria de Sines, que estava no centro das preocupações do Governo e dos trabalhadores, fica na Galp.

A Galp anunciou esta segunda-feira o fim das negociações com a Moeve para uma possível combinação dos negócios de refinação e comercialização de combustíveis, por não ter sido possível chegar a acordo. Em comunicado, a petrolífera explica que, depois do acordo não vinculativo anunciado a 8 de Janeiro com os accionistas da Moeve, o fundo soberano de Abu Dhabi Mubadala e o grupo Carlyle, as partes mantiveram negociações aprofundadas, mas não conseguiram um entendimento para concretizar a operação.

A empresa garante que o fim das negociações não terá impacto nas operações atuais “nem na confiança da empresa no potencial de criação de valor autónomo do seu portefólio de downstream”. A Galp mantém o compromisso com a transformação das actividades industriais e comerciais e diz-se aberta a futuras oportunidades de consolidação no sector.

O plano anunciado em Janeiro previa a criação de duas empresas. A primeira juntaria as redes de cerca de 3500 postos de abastecimento e os negócios de mobilidade elétrica e de conveniência, sobretudo em Portugal e Espanha, com participações equilibradas, perto de 50% para cada lado. A segunda ficaria com a refinação, a petroquímica, o trading e os combustíveis de baixo carbono, com a Galp a deter uma posição minoritária acima de 20%. A empresa portuguesa ficaria apenas com a exploração e produção de petróleo e gás, no Brasil e na Namíbia, as renováveis e a comercialização de gás e electricidade.

A Galp chegou a apontar a assinatura para o final de Julho e a conclusão para o último trimestre do ano. Em Abril, o co-presidente executivo João Diogo Marques da Silva garantia que o processo estava dentro do calendário.

Sines no centro da polémica

A refinaria de Sines era o ponto mais sensível. A Comissão de Trabalhadores da Galp temia que a operação condenasse a refinaria a “um encerramento progressivo”. Em Julho, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, admitiu que o Governo estudava instrumentos legais para garantir que a refinaria se mantinha em Portugal e que o abastecimento nacional tinha prioridade numa crise. O Estado, accionista da Galp com 8,24%, chegou a falar em “linhas vermelhas”.

Na sexta-feira, três dias antes do anúncio, a associação ProPública alertou que a lei portuguesa podia ser insuficiente para travar o negócio. Segundo a associação, a operação significaria vender 80% de Sines e de activos associados, como o oleoduto Sines-Aveiras, deixando a Galp em minoria. O regime de salvaguarda de activos estratégicos permite ao Conselho de Ministros opor-se a aquisições estrangeiras que ameacem a segurança do abastecimento, mas a notificação é, segundo a ProPública, “essencialmente facultativa”.

A Galp não explicou que pontos impediram o acordo.

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