Por: Dra. Anabela Teixeira- Presidente do Conselho de Administração – Madz Global SCVM
Um mercado de capitais não se desenvolve apenas porque existem mais transacções, mais títulos cotados ou mais investidores registados. O verdadeiro teste está na capacidade de transformar poupança em capital, capital em investimento e investimento em crescimento económico.
É nessa equação que a intermediação financeira assume uma importância que ultrapassa a execução de uma ordem de compra ou venda. Ela é uma infraestrutura de confiança: aproxima quem possui capital de quem necessita de capital, traduz informação financeira, reduz assimetrias e ajuda o investidor a tomar decisões num ambiente em que retorno, risco, liquidez e horizonte temporal precisam de ser avaliados em conjunto.
Em Angola, esta história ainda é relativamente recente.
Uma bolsa, uma indústria e uma nova cultura de investimento
A Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) foi fundada em Julho de 2014, com o propósito de promover o mercado de valores mobiliários nacional. A sua evolução acompanhou uma transformação progressiva da infraestrutura financeira angolana, que viria a culminar, entre outros marcos, no surgimento efectivo do mercado de acções.
É neste mesmo período de construção institucional que se insere a história da MADZ GLOBAL.
Fundada em 2013 e registada como Sociedade Corretora de Valores Mobiliários junto da Comissão do Mercado de Capitais em Julho de 2014, a MADZ GLOBAL tornou-se posteriormente membro da BODIVA, em 2015.
Isto significa que a história da MADZ GLOBAL não pode ser dissociada da própria construção do mercado de capitais angolano. A instituição cresceu num mercado que ainda procurava formar investidores, criar referências, desenvolver liquidez e explicar à sociedade uma ideia relativamente nova: o capital também pode participar directamente na economia através do mercado.
Durante os primeiros anos, os desafios eram, por isso, muito maiores do que a simples capacidade técnica de executar operações.
Havia uma questão mais profunda: como criar uma cultura de investimento onde ela ainda estava a nascer?
Como transformar um instrumento financeiro, muitas vezes apresentado através de linguagem técnica, numa decisão compreensível para uma família, um empresário ou uma instituição?
E como convencer o investidor de que uma corretora não deveria ser vista apenas como o lugar onde se compra ou vende um título, mas como uma instituição que pode ajudar a compreender o mercado?
Quando o desafio não está no produto, mas no conhecimento
Ao longo dos seus primeiros anos, a indústria de intermediação financeira enfrentou uma barreira que nem sempre aparece nos balanços: a literacia financeira.
Um mercado pode ter produtos. Pode ter regulamentação. Pode ter tecnologia. Pode ter instituições.
Mas, sem investidores capazes de compreender aquilo que estão a comprar, o mercado permanece estruturalmente limitado.
Na leitura institucional da MADZ GLOBAL, esse foi um dos desafios que mais marcou a evolução da actividade.
Dr. Paulo Correia Victor- Assessor para assuntos institucionais – Madz Global
“O mercado foi desafiante. Mas, ao longo dos anos, percebemos que muitos dos obstáculos ultrapassavam a capacidade técnica das próprias instituições. A falta de literacia financeira era uma barreira real. E, olhando retrospectivamente, também percebemos que subestimámos, numa determinada fase, o potencial da tecnologia e da presença digital para aproximar o mercado das pessoas.”
— Dr. Paulo Correia Victor.
A observação é particularmente relevante num mercado em que a próxima fronteira não é apenas aumentar o número de operações, mas aumentar a qualidade da participação.
A digitalização deixou de ser apenas uma questão de comunicação. Tornou-se uma questão de acesso.
Um investidor que compreende o que está a comprar, que consegue acompanhar a sua carteira e que encontra informação clara e tempestiva está mais próximo do mercado do que aquele que depende exclusivamente de contactos ocasionais para tomar decisões.
A nova escala do mercado
A evolução do mercado angolano começou a produzir operações capazes de alterar a própria percepção sobre o que era possível fazer através da bolsa.
A Oferta Pública de Venda do Banco de Fomento Angola, em 2025, foi um desses momentos.
A operação colocou em oferta 29,75% do capital do BFA, correspondentes a 4.462.500 acções. O preço final foi fixado em 49.500 kwanzas por acção e a procura atingiu Kz 1,118 biliões, equivalentes a uma cobertura de 506,37% da oferta. Foram submetidas 11.006 ordens, das quais 10.133 foram contempladas.
Mais do que os números, o episódio demonstrou algo importante: existia procura por activos financeiros angolanos quando a oportunidade, a escala e a confiança se encontravam.
Para a MADZ GLOBAL, o ciclo mais recente da instituição ocorre precisamente neste novo estágio do mercado, sob a liderança da Dra. Anabela Teixeira.
A nova administração encontrou uma instituição inserida num mercado mais sofisticado, mas também mais exigente. O desafio deixou de ser apenas sobreviver à construção inicial do mercado. Passou a ser posicionar a instituição para uma indústria que começava a ganhar escala, visibilidade e relevância.
“Assumimos a MADZ GLOBAL num período exigente, mas também num momento de oportunidade. O mercado de capitais angolano já não é uma promessa distante. Está a adquirir escala. A nossa responsabilidade é preparar a instituição para acompanhar essa transformação, reforçando a confiança, a capacidade técnica, a proximidade com os investidores e a qualidade da nossa presença no mercado.”
— Dra. Anabela Teixeira.
A participação da MADZ GLOBAL no novo ciclo de desenvolvimento do mercado deve, portanto, ser entendida dentro de uma transformação maior: o mercado deixou progressivamente de ser apenas uma infraestrutura de negociação e passou a assumir um papel mais relevante na arquitectura financeira da economia.
O próximo desafio: Passar da intermediação à inteligência financeira
O futuro da intermediação financeira não será definido apenas por quem consegue executar mais operações.
Será definido por quem consegue compreender melhor o investidor.
Uma corretora moderna precisa de dominar três dimensões simultaneamente: capital, informação e relacionamento.
Capital, porque deve facilitar o encontro entre recursos disponíveis e oportunidades de investimento.
Informação, porque mercados eficientes dependem de investidores capazes de interpretar risco, retorno, liquidez e contexto económico.
Relacionamento, porque a confiança continua a ser um activo central na actividade financeira.
É também aqui que a consultoria para investimento ganha relevância.
À medida que o mercado cresce, o investidor deixa de procurar apenas um produto. Começa a procurar uma estratégia.
Quer saber quanto deve investir, durante quanto tempo, com que nível de risco, como diversificar e como ajustar a carteira perante diferentes cenários económicos.
A intermediação financeira evolui, assim, de uma lógica transaccional para uma lógica de acompanhamento.
Um mercado de capitais mais próximo da economia real
Angola possui empresas que precisam de capital, investidores que procuram alternativas e sectores com necessidades significativas de financiamento.
O desafio está em conectar estes três elementos.
Um mercado de capitais profundo pode ajudar a diversificar as fontes de financiamento das empresas, reduzir a dependência exclusiva do crédito bancário, mobilizar poupança doméstica e permitir que mais investidores participem na criação de valor empresarial.
Mas isso exige disciplina.
As empresas que recorrem ao mercado devem estar preparadas para maior transparência, prestação de contas e escrutínio dos investidores.
Os investidores devem compreender que rentabilidade e risco são inseparáveis.
E os intermediários devem assumir uma responsabilidade que vai além da execução: educar, informar, aproximar e criar confiança.
É neste ponto que a história da MADZ GLOBAL se cruza com o futuro do mercado.
Depois de mais de uma década num sector que ainda está a construir a sua maturidade, a questão já não é simplesmente saber se Angola terá um mercado de capitais.
A questão é saber qual será a profundidade desse mercado e quanto da economia real conseguirá financiar.
A resposta dependerá de instituições sólidas, investidores informados, empresas preparadas, tecnologia adequada e uma intermediação financeira capaz de acompanhar a complexidade de uma economia em transformação.
A MADZ GLOBAL pretende continuar a desempenhar o seu papel nessa construção.
Porque desenvolver o mercado de capitais não significa apenas intermediar operações.
Significa aproximar o capital da economia real.
E, no longo prazo, é essa circulação de capital entre poupança, investimento, empresas e oportunidades que transforma uma bolsa num verdadeiro instrumento de desenvolvimento económico.
Madz Global – SCVM
+12 anos democratizando o mercado de capitais angolano.