Economia

Inflação em mínimos de dois anos reforça expectativa de novo corte na Taxa BNA

O Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola (BNA) reúne-se esta segunda e terça-feira, dias 13 e 14 de Julho, em Malanje, para definir as taxas de juro que vão orientar a economia nos próximos 45 dias, num cenário marcado pela queda acentuada da inflação homóloga para 10,11% em Junho — o 23.º mês consecutivo de desaceleração dos preços no país.

Diante deste quadro de estabilização, a expectativa é a de que o órgão liderado pelo governador Manuel Tiago Dias volte a reduzir a Taxa BNA, para um intervalo entre 16,50% e 16,75%. Esta medida daria continuidade ao ciclo de flexibilização iniciado em Janeiro, com um corte de 1 ponto percentual para 17,50%, mantido em Março numa pausa estratégica para avaliação de risco, e reforçado na 129.ª reunião do CPM, em Maio, com uma nova redução de 0,5 pontos percentuais, para os actuais 17%. Nessa mesma reunião de Maio, o BNA reduziu também a taxa da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez, de 18,5% para 18%, e a taxa da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez, de 16,5% para 16%, tendo ainda revisto em baixa a meta de inflação para 2026, de 13,5% para 11,5%.

A orientação para um novo corte justifica-se pelo recuo expressivo da inflação, que consolidou a trajectória de queda no curto prazo e abriu espaço para o alívio da política contracionista. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, a inflação homóloga registada em Junho representa uma redução de 0,76 pontos percentuais face a Maio, e está 9,62 pontos percentuais abaixo da taxa observada em Junho de 2025 (19,73%). A classe “Alimentação e bebidas não alcoólicas” continua a ser a que mais pressiona o nível geral de preços, com um contributo de 6,53 pontos percentuais, seguida de “Transporte”, “Bens e serviços diversos” e “Saúde”. Ao nível provincial, Huambo (7,53%), Lunda Norte (7,65%) e Cunene (7,75%) registaram as menores variações, enquanto Cabinda (15,22%), Malanje (12,93%) e Moxico (11,66%) lideram a tabela da inflação mais elevada.

Para a decisão de corte do juro, pesam também na avaliação os dados mais recentes da economia real e do sector externo. Ao situar-se já 1,39 pontos percentuais abaixo da meta anual de 11,5% revista pelo próprio banco central em Maio, o indicador de inflação liberta a autoridade monetária para mitigar o prémio de risco real excessivo, de forma a aliviar o custo do crédito e a estimular o crescimento do sector não petrolífero. Em Abril, o stock de crédito à economia em moeda nacional situava-se em 7,30 biliões de kwanzas, uma expansão homóloga de cerca de 15%.

Pelo lado externo, a estabilidade demonstrada pelo mercado cambial e a solidez das Reservas Internacionais Líquidas (RIL) — fixadas em 15,82 mil milhões de dólares em Abril, o equivalente a uma cobertura de cerca de 7,5 meses de importações de bens e serviços — atenuam o risco de choques na inflação importada. A isto soma-se um saldo acumulado da conta de bens de cerca de 6,97 mil milhões de dólares até Abril, impulsionado sobretudo pela subida do preço do petróleo nos mercados internacionais. Estes factores oferecem a almofada necessária para uma postura mais audaz na condução da política monetária nacional.

 

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