Economia

Inflação em Julho abaixo dos 10% pela primeira vez desde 2015, um bom exemplo subsariano

Em Julho de 2026, Angola registou uma inflação de 9,33%, de acordo com o Instituto Nacional da Estatística, consolidando uma trajectória de desaceleração que o país vem apresentando desde 2024.

Este valor representa não só uma queda face ao mês anterior, como também um marco relevante: trata-se de um dos níveis mais baixos desde 2015, reflectindo maior estabilidade cambial, melhoria na oferta interna e maior previsibilidade dos preços.

O Orçamento Geral do Estado, recorde-se, prevê uma inflação de 13,7% em 2026.

No panorama da África Subsaariana, onde várias economias continuam a enfrentar pressões inflacionistas significativas, o desempenho de Angola evidencia uma evolução particularmente positiva:

  • Nigéria mantém inflação elevada, acima dos 15%, pressionada por custos de energia e alimentos.
  • Etiópia e Ruanda continuam em patamares de dois dígitos, refletindo tensões estruturais nas cadeias de abastecimento.
  • Malawi permanece entre as economias mais pressionadas, com inflação acima de 20%.
  • África do Sul, mais estável, regista cerca de 5%, beneficiando de políticas monetárias consolidadas.
  • Namíbia, com cerca de 4,8%, apresenta estabilidade, mas sem a trajectória de descida tão acentuada quanto a angolana.

Neste conjunto, Angola surge como um caso de desaceleração consistente, reduzindo a inflação de níveis próximos 30% em 2024, para valores abaixo de 10% em meados de 2026 — uma evolução que poucos países da região conseguiram replicar no mesmo período.

A combinação de estabilidade do kwanza, melhorias na cadeia logística, maior oferta interna e contenção nos preços de bens essenciais tem permitido ao país aproximarse de um patamar inflacionário mais alinhado com economias de referência na região.

Assim, no contexto subsaariano, Angola apresentase hoje como um exemplo de recuperação gradual e sustentada, reforçando a confiança dos mercados e criando condições mais favoráveis para investimento, planeamento empresarial e previsibilidade macroeconómica.

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