A entrada do homem mais rico do mundo aliviaria o esforço financeiro de Larry Ellison, mas pode agravar as críticas políticas a um negócio já polémico
A Paramount está a ponderar convidar Elon Musk para um grupo de investidores no capital da empresa, numa altura em que se prepara para concluir a compra da Warner Bros. Discovery.
A fusão deverá ficar concluída nas próximas duas semanas. A família Ellison procura novas fontes de dinheiro para ajudar a financiar o negócio, avaliado em cerca de 110 mil milhões de dólares. Musk é um de vários multimilionários em cima da mesa, e não se sabe quanto poderia investir. A Paramount não quis comentar.
A ligação passa por Larry Ellison, fundador da Oracle e pai de David Ellison, presidente executivo da Paramount. Larry Ellison é próximo de Musk e de Donald Trump. Investiu na Tesla em 2018, fez parte do conselho de administração da empresa durante vários anos e colocou mil milhões de dólares na compra do Twitter (hoje X) por Musk, em 2022.
É também Larry Ellison quem sustenta grande parte da operação. Garantiu pessoalmente 46,7 mil milhões de dólares em capital para a compra da Warner. A Paramount conseguiu ainda compromissos de 24 mil milhões de dólares dos fundos soberanos da Arábia Saudita, do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos, que ficarão com 38,5% da empresa resultante da fusão. Na semana passada, o regulador norte-americano das comunicações, a FCC, autorizou que até 49,5% do capital da Paramount fique nas mãos de entidades estrangeiras.
Um cheque de Musk diversificaria a base de investidores e reduziria o peso financeiro de Larry Ellison. Seria também um sinal de confiança de um empresário com muitos seguidores entre os pequenos investidores. Mas a entrada de Musk seria politicamente delicada. É pouco provável que Musk tenha qualquer papel formal na gestão. Ainda assim, a entrada de um segundo aliado de peso de Trump no negócio pode fazer soar alarmes em Washington, sobretudo se os democratas conquistarem o controlo do Congresso nas eleições intercalares de Novembro.
A compra da Warner dará aos Ellison o controlo da CNN, uma das estações de que Trump menos gosta. A CNN está atualmente a processar a Administração por causa de uma proibição de acesso imposta pela Casa Branca, num processo em que é acompanhada pela MS NOW e pelo Politico. Entretanto, um juiz federal dos Estados Unidos que a Casa Branca restabeleça o acesso dos três órgãos de comunicação, considerando que a retirada das credenciais dos jornalistas não respeitou a primeira emenda da Constituição.