Mercados Financeiros

Investidores sobrevalorizam o risco de África, diz líder da IFC

Makhtar Diop acusa os mercados de tratarem dezenas de economias como uma só. O braço do Banco Mundial para o sector privado vai abrir a sua base de dados de risco de crédito para tentar baixar o custo do financiamento no continente.

O director-geral da Sociedade Financeira Internacional (IFC), o braço do Banco Mundial para o sector privado, considera que os investidores sobrevalorizam “absolutamente” o risco de investir em África. Segundo Makhtar Diop, o problema está em tratarem dezenas de mercados muito diferentes como se fossem uma única história de investimento, o que encarece o crédito em todo o continente.

Diop falou em Nova Iorque, na conferência The Next 3 Billion, organizada pelo Semafor. O responsável descreveu um “efeito de contágio”: um choque num país africano é muitas vezes usado para justificar avaliações de risco mais altas em todo o continente, independentemente dos fundamentos económicos de cada economia.

“Sempre que há um choque em África, as pessoas tendem a dizer que afecta todo o continente”, afirmou. Os investidores, acrescentou, comportam-se como se algo que acontece na Etiópia afectasse Dacar, a capital do Senegal, país de origem de Diop, a milhares de quilómetros de distância.

Para contrariar esta perceção, a IFC vai abrir a investidores e agências de notação a sua base de dados de risco de crédito em mercados emergentes, a Global Emerging Markets Risk Database (GEMs). O objectivo é que dados concretos sobre o desempenho do crédito ajudem a reduzir o chamado “prémio de risco africano” e, com ele, o custo do capital.

A GEMs foi criada em 2009 pelo Banco Europeu de Investimento e pela IFC. Reúne hoje 29 bancos multilaterais de desenvolvimento e instituições financeiras de desenvolvimento e junta 40 anos de dados de risco de crédito sobre os empréstimos destas instituições em mercados emergentes. O consórcio publica todos os anos estatísticas de incumprimento e de recuperação de créditos concedidos a entidades privadas, públicas e soberanas, que investidores e agências de rating podem usar para afinar as suas avaliações de risco.

Para a IFC, estes números contrariam a ideia de que os mercados emergentes são destinos de investimento de alto risco, e mostram que devem caber no apetite de risco de um leque alargado de investidores.

Diop rejeitou ainda as previsões de uma fuga prolongada de capitais dos mercados africanos. Na sua opinião, a forte procura interna por activos locais é uma fonte de financiamento subestimada. Como exemplo, apontou a enorme procura dos investidores numa emissão recente, no mercado local, do grupo do industrial nigeriano Aliko Dangote.

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