O grupo nigeriano Dangote propôs a países da África Oriental uma participação de 30% no capital de uma nova refinaria de petróleo prevista para o norte do Quénia, avança a Bloomberg.
Segundo David Ndii, principal conselheiro económico do Presidente queniano William Ruto, a Etiópia e o Ruanda já manifestaram interesse em investir na unidade, que será construída em Lamu. A participação de 10% atribuída ao Quénia deverá valer cerca de 500 milhões de dólares, revelou Ndii durante um fórum de mercados de capitais em Nairobi.
A futura instalação petrolífera, com capacidade prevista de 700 mil barris por dia, deverá custar ao grupo Dangote mais de 15 mil milhões de dólares. O investimento total do complexo de refinação e petroquímica de Lamu ronda os 20 mil milhões de dólares, prevendo-se o início das obras em Setembro.
Com uma estrutura de financiamento assente numa relação de 70/30 entre dívida e capital próprio, a participação oferecida aos países da África Oriental totalizará cerca de 1,5 mil milhões de dólares. “O total para a região é de cerca de 1,5 mil milhões de dólares”, afirmou Ndii, citado pela Bloomberg, acrescentando que, caso algum dos países não consiga assegurar o respectivo compromisso de aquisição de combustível, o grupo Dangote estará disponível para colmatar essa lacuna.
O projecto, inicialmente equacionado para Tanga, na Tanzânia, acabou por ser transferido para Lamu, na costa queniana, após uma avaliação de factores comerciais e técnicos, prevendo-se uma duração de construção de cerca de cinco anos. O porto natural de Lamu, com profundidades que chegam aos 18 metros, permite acolher petroleiros Post-Panamax totalmente carregados, com capacidade para até 2 milhões de barris — navios demasiado grandes para atracar em Mombaça, no litoral sudeste do Quénia.
IPO da refinaria de Lagos ajuda a financiar o projecto
Uma oferta pública inicial (IPO) da refinaria do grupo em Lagos, na Nigéria, está também orientada, em parte, para angariar fundos destinados ao projecto do Quénia. A subsidiária que opera a refinaria nigeriana, a Dangote Petroleum Refinery & Petrochemicals, deverá abrir capital por volta de Outubro de 2026, com o objectivo de angariar 5 mil milhões de dólares. Já existe um compromisso superior a 600 milhões de dólares para a colocação privada da refinaria, além de mais 400 milhões de dólares destinados a apoiar a operação de IPO.
O projecto de Lamu insere-se numa estratégia de expansão mais ampla do homem mais rico de África, Aliko Dangote, que tem como meta atingir 100 mil milhões de dólares em receitas anuais do grupo até 2030, partindo dos actuais cerca de 20 mil milhões de dólares — um salto que representaria multiplicar por cinco a dimensão actual do grupo.
Segundo a estratégia “Vision 2030: Supercharging Dangote Group for Long Term Success”, apresentada em Março ao conselho de administração do Banco Africano de Import-Exportação (Afreximbank), o plano de expansão divide-se em duas fases, entre 2025 e 2028 e entre 2028 e 2030, exigindo pelo menos 40 mil milhões de dólares em novos investimentos. Além do petróleo, o grupo aponta ainda para os sectores do gás, mineração, portos, gasodutos, produção de energia eléctrica e centros de dados como áreas estratégicas para remover estrangulamentos de infraestrutura que há muito têm limitado o crescimento industrial em África.