Os maiores investidores da história dos mercados financeiros não construíram as suas fortunas seguindo uma fórmula única. Pelo contrário, Warren Buffett, Peter Lynch, George Soros, Bill Ackman e David Tepper desenvolveram estratégias distintas, adaptadas à sua visão dos mercados, das empresas e do risco.
Apesar das diferenças, existe um elemento comum entre estes investidores: a disciplina para seguir uma estratégia, a paciência para esperar pelos resultados e a capacidade de tomar decisões racionais em momentos de elevada volatilidade.
Buffett e a força do longo prazo
Warren Buffett tornou-se uma das referências mundiais do investimento em valor. A sua abordagem assenta, em grande medida, na procura de empresas com negócios sólidos, vantagens competitivas duradouras e capacidade de gerar resultados ao longo do tempo.
Em vez de tentar antecipar os movimentos diários das bolsas, Buffett privilegia a análise dos fundamentos das empresas e a manutenção dos investimentos durante longos períodos.
Esta filosofia está associada à ideia de que uma participação numa empresa deve ser encarada como um investimento num negócio e não simplesmente como uma aposta na evolução da cotação das acções.
Peter Lynch e as empresas que se conseguem compreender
Peter Lynch, que alcançou notoriedade à frente do Fidelity Magellan Fund, seguiu uma abordagem diferente, embora também desse grande importância aos fundamentos das empresas.
Lynch ficou conhecido pela procura de empresas com potencial de crescimento e por defender que os investidores deveriam investir em negócios que conseguissem compreender. A sua estratégia procurava identificar empresas capazes de aumentar lucros e vendas ao longo do tempo, antes de serem plenamente reconhecidas pelo mercado.
Soros e as grandes apostas macroeconómicas
George Soros construiu a sua reputação através de uma abordagem muito diferente. O investidor tornou-se conhecido pela capacidade de identificar grandes tendências económicas, políticas e financeiras e posicionar os seus investimentos em função dessas expectativas.
A sua estratégia assenta menos na análise individual de uma empresa e mais na interpretação dos movimentos das economias e dos mercados globais.
Uma das características associadas a Soros é a disposição para assumir posições significativas quando identifica uma oportunidade, mas também para reconhecer rapidamente quando a sua tese de investimento deixou de ser válida.
Ackman e o investimento activista
Bill Ackman representa outra abordagem. O gestor tornou-se uma das figuras mais conhecidas do chamado investimento activista, no qual o investidor procura adquirir participações relevantes em empresas e pressionar a administração para alterar estratégias, operações ou estruturas de capital.
Neste modelo, o investidor não se limita a esperar que o mercado reconheça o valor de uma empresa. Procura, em determinadas circunstâncias, influenciar directamente as decisões empresariais para desbloquear esse valor.
Tepper e as oportunidades em mercados pressionados
David Tepper, por seu lado, ganhou notoriedade pela capacidade de identificar oportunidades em activos que atravessam períodos de forte pressão.
A sua estratégia está associada à procura de investimentos que possam estar subavaliados devido ao pessimismo dos mercados, incluindo dívida e acções de empresas ou sectores afectados por crises.
Esta abordagem exige uma elevada tolerância ao risco e capacidade para distinguir entre uma oportunidade temporariamente penalizada pelo mercado e um activo cujo valor fundamental se deteriorou de forma permanente.
A disciplina como denominador comum
Embora utilizem estratégias diferentes, estes investidores partilham características que podem ser mais importantes do que qualquer fórmula específica.
A primeira é a disciplina. Investir implica tomar decisões num ambiente marcado pela incerteza e, muitas vezes, pela pressão para acompanhar movimentos de curto prazo.
A segunda é a paciência. Uma boa oportunidade pode demorar meses ou anos a produzir resultados. Tentar obter ganhos imediatos pode levar os investidores a abandonar estratégias antes de estas produzirem os resultados esperados.
A terceira é a capacidade de controlar as emoções. Quando os mercados sobem rapidamente, o optimismo pode levar os investidores a pagar preços excessivos. Quando as bolsas caem, o medo pode provocar vendas precipitadas. Os grandes investidores procuram, precisamente, evitar que essas emoções determinem as suas decisões.
Não existe uma estratégia universal
As histórias de Buffett, Lynch, Soros, Ackman e Tepper mostram que não existe um único caminho para o sucesso nos mercados financeiros. Investir em empresas de qualidade para o longo prazo, procurar empresas de crescimento, apostar em tendências macroeconómicas, pressionar pela transformação de empresas ou aproveitar activos penalizados pelo mercado são estratégias diferentes.
O ponto essencial está na existência de um método, na capacidade de avaliar o risco e na disciplina necessária para respeitar esse método.
Num contexto financeiro caracterizado por elevada velocidade de informação e por fortes oscilações dos mercados, a principal lição destes investidores permanece actual: mais importante do que prever todos os movimentos do mercado é desenvolver uma estratégia coerente e manter a capacidade de pensar racionalmente quando a maioria dos investidores é dominada pela emoção.