Ciência & Tecnologia

Bill Gates diz que é altura de “carregar no botão do pânico” da IA

Bill Gates, cofundador da Microsoft, considera que chegou o momento de soar o alarme sobre a Inteligência Artificial (IA). Segundo o multimilionário, a tecnologia já ultrapassou limites perigosos nas áreas da biologia, da cibersegurança, do trabalho de colarinho branco e das relações humanas, afirmou em entrevista à Semafor.

A declaração representa uma mudança significativa face à posição que Gates defendia há três anos, quando escreveu que a disrupção do mercado de trabalho provocada pela IA seria “acidentada”, mas conduziria a uma transição “gerível”, com a tecnologia a ajudar as pessoas a trabalhar de forma mais eficiente. Agora, o fundador da Microsoft alerta que a IA provocará uma catástrofe económica, com “muito menos” empregos do que os que existem actualmente, devido à velocidade dos avanços tecnológicos e ao que classifica como uma resposta praticamente inexistente por parte dos governos e dos líderes do sector tecnológico.

“Estou em estado de choque por ser, de certa forma, o primeiro a dizer ‘isto é loucura, isto é insano'”, afirmou Gates. “Estou simplesmente ensurdecido pelo silêncio.”

Num artigo de opinião publicado esta quarta-feira, Gates pede a líderes tecnológicos e políticos que respondam com mais urgência às ameaças colocadas pela IA, defendendo nomeadamente a criação de novas políticas para proteger os trabalhadores e a tributação de empresas com base na sua utilização da tecnologia.

Um dos receios de Gates é que, sem uma resposta adequada, a sociedade acabe por se voltar inteiramente contra a IA, comprometendo o seu potencial para melhorar a humanidade, nomeadamente através de avanços na ciência e na saúde. “Qual vai ser a reacção quando estes empregos desaparecerem?”, questionou. “Vai fazer a questão dos centros de dados parecer insignificante.”

Segundo Gates, este é apenas o primeiro de vários ensaios que planeia publicar sobre o tema, incluindo um dedicado a uma análise mais aprofundada dos riscos biológicos associados à IA. “Escrevi um livro inteiro sobre como evitar a próxima pandemia”, disse Gates. “O risco de bioterrorismo é hoje 50 vezes superior ao risco de uma pandemia natural.”

Outros líderes tecnológicos partilham as preocupações

De acordo com Gates, alguns responsáveis do sector tecnológico partilham em privado a sua posição actual, incluindo o CEO da Microsoft AI, Mustafa Suleyman. “O Mustafa sente hoje o mesmo que sentia quando escreveu o livro”, afirmou Gates, referindo-se ao alerta feito por Suleyman em “The Coming Wave”, publicado em 2023, sobre a falta de preparação da sociedade para as mudanças profundas que a IA está prestes a trazer. “Ele está muito, muito contente por eu estar a escrever este memorando.”

Outras figuras de destaque do sector, como o cofundador da Google DeepMind, Demis Hassabis, têm também reforçado os seus próprios alertas. Hassabis propôs recentemente a criação de um organismo federal de supervisão de normas para modelos de IA de fronteira, inspirado em parte na FINRA (Financial Industry Regulatory Authority, entidade reguladora do sector financeiro norte-americano), financiado maioritariamente pela indústria e com poderes para testar modelos avançados antes do seu lançamento. Segundo Hassabis, o sistema poderá vir a tornar-se obrigatório e coordenar, se necessário, um abrandamento entre os laboratórios de IA de ponta.

Em 2023, Gates, juntamente com Suleyman, Hassabis e centenas de outros líderes tecnológicos e responsáveis políticos, assinou uma declaração conjunta segundo a qual o risco de extinção associado à IA deveria ser tratado como uma prioridade global, a par de ameaças como pandemias e guerra nuclear.

Relacionadas

Conheça as estratégias dos grandes investidores que fizeram fortuna nos

Os maiores investidores da história dos mercados financeiros não construíram

Angola reforça segurança digital do Estado com entrega do Centro

Angola passou a contar, desde esta semana, com um Centro

Etiópia apresenta candidatura para acolher o CAN de 2028

A Etiópia apresentou oficialmente a sua candidatura para acolher a