O Banco de Fomento Angola (BFA) tornou-se esta terça-feira o primeiro banco angolano a estabelecer uma relação de correspondência bancária com o Citibank, abrindo uma conta em dólares junto da instituição norte-americana. O banco liderado por Luís Gonçalves descreve o acordo como “um marco histórico” na sua estratégia de internacionalização.
Segundo comunicado da instituição, a parceria dá ao BFA acesso à infraestrutura e à rede internacional do Citibank para processar operações, reforçando a capacidade do banco angolano de acompanhar fluxos financeiros entre Angola, os Estados Unidos e o resto do mundo. Na prática, isto deverá facilitar pagamentos internacionais, operações de comércio externo e a relação com investidores e parceiros estrangeiros dos clientes do BFA.
A instituição angolana sublinha ainda que o acordo funciona como “sinal de confiança” na sua solidez financeira, governação e capacidade de “compliance” — um ponto sensível para a banca angolana, já que esta ligação a um grande banco norte-americano surge depois de anos de dificuldades no sector.
O contexto: uma década a reconquistar correspondentes em dólares
No final de 2015, bancos internacionais suspenderam relações de correspondência bancária em dólares com instituições angolanas por imposição do regulador norte-americano, na sequência de falhas de compliance e suspeitas de branqueamento de capitais no sistema financeiro do país. Desde então, a correspondência bancária em dólares ficou restrita a pequenas dependências e a bancos menores noutros continentes, e essa suspensão decorreu de falhas no compliance em Angola e de suspeitas de branqueamento de capitais nas operações.
Nos últimos meses, porém, vários dos maiores bancos angolanos têm conseguido reverter essa situação. No final de outubro de 2025, dois dos maiores bancos nacionais anunciaram ter fechado acordos de correspondência em dólares com duas grandes instituições internacionais — o norte-americano JP Morgan e o alemão Deutsche Bank. O próprio BFA já tinha dado um passo semelhante com a banca europeia: em outubro de 2025, tornou-se a primeira instituição bancária angolana autorizada a abrir contas correspondentes em dólares e euros junto do Deutsche Bank.
Notícias avançadas na altura pela Bloomberg davam já conta de conversações entre o Citigroup e o BFA. A Citigroup mantinha então negociações com o BFA para prestar serviços de compensação (clearing) em dólares e euros ao segundo maior banco angolano, o que agora se confirma com o anúncio formal da relação de correspondência.
Apesar destes avanços, Angola continua na lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), por deficiências identificadas no combate ao branqueamento de capitais — um fator que a banca nacional tem procurado contrariar através do reforço dos seus sistemas de controlo de risco e compliance para reconquistar a confiança de parceiros internacionais.
O que muda para o BFA
Com a ligação ao Citibank — um dos maiores bancos dos Estados Unidos — o BFA passa a ter uma segunda grande porta de entrada na banca norte-americana e europeia, depois do acordo com o Deutsche Bank. O banco angolano, que integra o grupo espanhol CaixaBank, reforça assim a sua posição na ponte entre a economia angolana e os principais centros financeiros internacionais, à medida que o sector bancário do país tenta consolidar o regresso da correspondência bancária em moeda forte, interrompida há cerca de uma década.