Mercado & Finanças

Banca angolana lucra menos e a culpa é dos dois maiores bancos

A banca angolana lucrou menos no primeiro trimestre de 2026 e a explicação passa pelo BAI e BFA. Os dois maiores bancos do país perderam juntos 45,7 mil milhões de kwanzas face ao ano anterior, arrastando um sector que, sem eles, teria crescido 6%.

A banca comercial fechou o primeiro trimestre de 2026 com um resultado líquido agregado de 253,4 mil milhões de kwanzas — uma queda de 10,2% face aos 282,1 mil milhões registados no mesmo período de 2025. A diferença, 28,7 mil milhões de kwanzas, tem dois responsáveis principais: o BAI e o BFA, os dois maiores bancos do país, que juntos perderam 45,7 mil milhões de kwanzas face ao período homólogo.

Se os dois bancos tivessem mantido os resultados do ano anterior, o sector teria fechado o trimestre com crescimento de 6%. Em vez disso, recuou.

Os grandes travaram, os médios aceleraram

O BAI registou um lucro de 62 mil milhões de kwanzas — uma queda de 38,8% face aos 101,6 mil milhões do primeiro trimestre de 2025. A explicação avançada pelo banco aponta para a redução da margem complementar e o aumento dos custos operacionais. O BFA recuou 9,9%, de 64,4 para 58 mil milhões de kwanzas.

O impacto vai além dos números absolutos. No primeiro trimestre de 2025, BAI e BFA representavam 58,8% do lucro total da banca angolana. Em 2026, essa proporção caiu para 47,4% — o sinal mais claro de que a concentração no topo está a diminuir, ainda que os dois bancos continuem a dominar o sector.

Entre os restantes bancos em queda, o BPC afundou 83,8%, para apenas 1,04 mil milhões de kwanzas, e o Banco Económico regressou ao prejuízo — de um lucro de 21,2 milhões para uma perda de 2,88 mil milhões de kwanzas. O Banco Valor recuou 40,4%.

As recuperações do trimestre

Do lado oposto, os números de alguns bancos de menor dimensão chamam a atenção. O BCS cresceu 84,2%, de 4,50 para 8,18 mil milhões de kwanzas. O Banco Yetu avançou 81,9%. O BCI somou 18,22 mil milhões de kwanzas, um crescimento de 49,9%. O Standard Bank Angola estabilizou nos 37 mil milhões de kwanzas, uma subida de 10,8%.

A recuperação mais simbólica foi a do Banco Sol: saiu de um prejuízo de 2,62 mil milhões de kwanzas para um lucro de 2,78 mil milhões — uma viragem de 5,39 mil milhões num só trimestre.

O que os números dizem

A leitura do trimestre é dupla. Por um lado, a banca angolana manteve rentabilidade positiva no agregado — o sector não está em crise. Por outro, a queda dos dois maiores bancos é suficientemente expressiva para arrastar o resultado do conjunto. O que o trimestre também mostra é uma redistribuição silenciosa: os bancos médios estão a ganhar espaço — e lucro — que os líderes históricos estão a perder.

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