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Angola tem 36 dos 51 minerais críticos do mundo e está a aprender o que fazer com isso


Angola possui 36 dos 51 minerais críticos identificados globalmente como relevantes no comércio internacional. Lítio, terras raras, cobre, ferro, fosfato, ouro — o subsolo angolano tem o que o mundo desenvolvido precisa para a transição energética e para a indústria tecnológica. O problema é que, à exceção do petróleo e dos diamantes, o país ainda obtém receitas incipientes deste sector. O estatuto de potência mineral ainda não tem impacto real na economia.

Os números dizem tudo sobre o caminho a percorrer. Em Dezembro de 2025, Angola tinha apenas 16 projetos activos de prospecção e exploração mineral — e 11 deles estavam efectivamente em curso, sendo que sete se concentravam na área diamantífera. Cobre, terras raras, lítio e outros minerais estratégicos permanecem largamente por explorar.

O ministro em Madrid e em Londres

O governo está a mudar de postura. O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Pedro Azevedo, esteve esta semana em Madrid num fórum de investimento em recursos minerais, depois de na semana anterior ter participado em Londres numa conferência internacional sobre petróleo, gás e mineração. A mensagem que levou a ambos os eventos foi a mesma: Angola “está a trabalhar para deixar de ser um mero produtor de energia e assumir-se como um abastecedor de minerais críticos para a industrialização e agregação de valor.”

O embaixador de Angola no Reino Unido, José Patrício, reforçou o argumento: embora o petróleo seja ainda a imagem de marca do país, há uma “rápida expansão” das indústrias extrativas, e os minerais críticos — diamantes, minério de ferro, cobre e terras raras — “estão a ganhar cada vez mais atenção global.”

Não é retórica vazia. Grandes empresas do sector já se fixaram em Angola: a BarrickGold para o ouro, a Anglo American e a Ivanhoe Mines para os metais básicos. O interesse existe. A questão é como Angola o vai converter em desenvolvimento.

Terras raras e transição energética: a corrida que Angola pode não perder

Os minerais críticos tornaram-se um campo de batalha geopolítica. Os países ocidentais e a China disputam o acesso a recursos essenciais para a produção de baterias, painéis solares, veículos elétricos e equipamentos de defesa. Nesse contexto, África — e Angola em particular — ganhou uma centralidade estratégica que não tinha há uma década.

O Corredor do Lobito é o exemplo mais visível: a infraestrutura ferroviária que liga o porto angolano ao interior da Zâmbia e da República Democrática do Congo foi desenhada, em grande parte, para servir de plataforma de escoamento de minerais críticos extraídos nesses países. Angola está no centro desse corredor — geograficamente e, cada vez mais, politicamente.

O modelo extrativista está a ser questionado

Mas Angola não está sozinha nesta reflexão — e os sinais que chegam do resto do continente são de impaciência com o modelo tradicional. No África CEO Forum em Kigali, o presidente da Nigéria, Bola Tinubu, foi direto: “Ninguém pode retirar qualquer metal da Nigéria sem acrescentar valor.” O presidente do Gabão, Brice Oligui Nguema — cujo país é o segundo maior produtor mundial de manganês —, criticou os acordos mineiros opacos que deixam os africanos sem informação sobre o que as empresas estrangeiras lucram com os seus recursos.

É um virar de página que Angola terá de acompanhar. A questão não é apenas atrair investimento — é em que condições, com que contrapartidas e com que visão de longo prazo. Os próximos anos dirão se Angola se posiciona como fornecedor estratégico de minerais críticos com capacidade de agregar valor, ou se repete com o lítio e as terras raras o que fez durante décadas com o petróleo: exportar matéria-prima e importar a fatura do subdesenvolvimento.

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