A ÁUREA – Sociedade Distribuidora de Valores Mobiliários assumiu a liderança da intermediação por quota de mercado na perspectiva de venda no segundo trimestre deste ano, concentrando 26,58% das operações, seguida pelo Banco Nacional de Angola (BNA), com 20,90%, e pela Hemera Capital Partners Securities, com 10,05%. Os dados foram apresentados esta semana, em Luanda, pela técnica sénior do departamento de planeamento e estatística da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), Albertina Santana, durante a apresentação dos fundamentos e desempenho do mercado de capitais relativos ao trimestre.
A mudança representa uma viragem significativa na estrutura do mercado: em termos homólogos, o BNA liderava com 45,77% da quota de mercado, tendo reduzido a sua participação em 24,87 pontos percentuais — uma queda expressiva que abriu caminho para a ascensão da ÁUREA à primeira posição.
A ÁUREA é, recorde-se, a primeira sociedade distribuidora de valores mobiliários a operar em Angola, constituída ao abrigo do Decreto Legislativo Presidencial n.º 5/13, de 9 de Outubro, que aprova o Regime Jurídico das Sociedades Corretoras e Distribuidoras de Valores Mobiliários.
Segundo Albertina Santana, os investidores particulares continuam a ser a tipologia com maior participação nas transacções, representando 84,85% do total, contra 15,15% de empresas e instituições.
O mercado como um todo registou uma expansão robusta no trimestre. O volume de negociação situou-se em 1.764,71 mil milhões de kwanzas, um crescimento de 66,65% face ao mesmo período de 2025, enquanto o número de negócios atingiu 13.406, um aumento de 96,71%. Já a capitalização bolsista fixou-se em cerca de 4.091,37 mil milhões de kwanzas, um aumento de 92,70% face ao período homólogo, resultado, segundo a responsável da CMC, da valorização geral das acções observada no período.
Fundos de Investimento: menor peso do imobiliário
O relatório da CMC também traçou o retrato da indústria de Organismos de Investimento Colectivo (OIC). Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIL) mantiveram-se como a tipologia mais representativa do activo total, com 55,79%, ainda que em queda face aos 78,47% do período homólogo — uma redução de 22,68 pontos percentuais. Em contrapartida, os Fundos de Investimento Mobiliário passaram de 9,18% para 30,07% (mais 20,89 p.p.), e os Fundos de Investimento em Capital de Risco (FCR) subiram de 0,72% para 6,58% (mais 5,86 p.p.).
Segundo a análise da CMC, essa trajectória de queda do peso dos activos imobiliários, apesar de ainda liderarem, evidencia uma consolidação da indústria de OIC, hoje menos dependente de uma única tipologia e com repartição mais equilibrada entre os segmentos mobiliário e de capital de risco. No final do 2.º trimestre de 2026, o total de activos da carteira de investimentos da indústria atingiu 1.845,26 mil milhões de kwanzas, um crescimento de 87,32% face ao período homólogo, com os activos imobiliários a representarem 54,70% da carteira.