Internacional

Administração Trump vai fechar cinco consulados dos EUA em África, na Ásia e nas Américas

Encerramentos em Camarões, no Japão, na Indonésia, no Canadá e em Granada devem poupar cerca de 4,4 milhões de dólares por ano, num momento em que Washington reabre postos diplomáticos na Líbia, na Síria e na Venezuela

A administração do Presidente Donald Trump informou o Congresso norte-americano de que pretende fechar cinco pequenas embaixadas, consulados e outras missões diplomáticas em África, na Ásia e no Hemisfério Ocidental — mesmo enquanto avança com planos para reabrir postos anteriormente encerrados na Líbia e na Síria, e já reabriu a embaixada há muito fechada na Venezuela.

Em avisos separados, enviados na semana passada a legisladores norte-americanos, o Departamento de Estado informou que vai fechar a embaixada dos Estados Unidos na ilha caribenha de Granada; os consulados em Nagoya, no Japão, e em Medan, na Indonésia; o Posto de Presença Americana em Winnipeg, no Canadá; e um gabinete-anexo de embaixada em Douala, nos Camarões.

Segundo os avisos obtidos pela Associated Press, os encerramentos, promovidos pela administração republicana, deverão poupar ao Governo norte-americano cerca de 4,4 milhões de dólares por ano. Ainda assim, as missões a encerrar empregam muito poucas pessoas, quando comparadas com outras representações diplomáticas dos Estados Unidos no estrangeiro.

A embaixada em St. George’s, capital de Granada, e o consulado em Nagoya têm apenas um funcionário norte-americano e cinco empregados locais, cada um. O consulado em Medan tem quatro funcionários norte-americanos de contratação directa e 47 empregados locais. O posto em Winnipeg tem apenas dois funcionários locais, e o gabinete de embaixada em Douala conta apenas com 14 funcionários locais.

Segundo a Reuters, os encerramentos anunciados representam um exemplo relativamente raro dos Estados Unidos a reduzir a sua presença diplomática global em várias missões simultaneamente, numa redução que não está associada a nenhum acontecimento geopolítico específico. A missão norte-americana em St. George’s, Granada, é uma embaixada; os postos em Medan, Winnipeg e Nagoya são consulados; já o posto em Douala é um “gabinete-anexo de embaixada” — categorias que, tipicamente, representam os interesses norte-americanos em regiões fora da capital de cada país, onde normalmente se situa a embaixada principal.

Segundo pessoas familiarizadas com o processo, citadas pela Reuters, é esperado que o pessoal e as responsabilidades dos postos afectados sejam transferidos para outras missões diplomáticas nas respectivas regiões.

Um contraste com a expansão da era Biden no Pacífico

Durante a administração do antigo Presidente Joe Biden, o Governo norte-americano tinha aberto várias missões diplomáticas, todas elas na região do Pacífico, onde os Estados Unidos disputam influência com a China. Ainda que a China não mantenha uma missão diplomática em funcionamento nem em Douala nem em Winnipeg, o país tem presença diplomática em St. George’s, em Nagoya e em Medan — um pormenor que sublinha a dimensão estratégica, e não apenas orçamental, destas decisões de encerramento.

O secretário de Estado, Marco Rubio, tem apresentado estas medidas como necessárias para “reajustar o dimensionamento” de uma organização que muitos conservadores consideram sobredimensionada; alguns responsáveis argumentam, em privado, que missões diplomáticas de menor dimensão são dispensáveis e pouco eficientes em termos de custo.

Já no início do primeiro ano do actual mandato de Trump, o Departamento de Estado tinha começado a preparar o encerramento de quase uma dezena de missões diplomáticas no estrangeiro, como noticiaram então a Reuters e outros órgãos de comunicação social, no âmbito de um esforço mais amplo do Presidente republicano para transformar a burocracia norte-americana, de forma a alinhá-la totalmente com a sua agenda “América Primeiro”.

O Departamento de Estado já tinha anunciado, no início deste ano, planos para encerrar de forma permanente o consulado norte-americano em Peshawar, no Paquistão — que era a missão diplomática mais próxima do Afeganistão desde a retirada das tropas norte-americanas do território afegão, em 2021.

Os encerramentos anunciados esta semana ilustram bem a natureza dupla da política externa da administração Trump em matéria de presença diplomática: ao mesmo tempo que reduz a sua pegada em missões de menor escala, sobretudo em regiões consideradas de menor prioridade estratégica imediata, Washington avança com a reabertura de postos em zonas de maior instabilidade ou relevância geopolítica directa para os interesses norte-americanos — casos da Líbia, da Síria e da Venezuela —, reforçando a ideia de uma reorganização deliberada, e não uma simples retirada generalizada, da diplomacia dos Estados Unidos em todo o mundo.

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