“Esta parceria reflecte colaboração, confiança e inovação entre as duas instituições e reforça o potencial de crescimento de Angola e de África na economia global.” Luís Teles, CEO do Standard Bank Angola
Passo a passo de um acordo que demorou uma década
O acordo entre o Standard Bank Angola e o JP Morgan é considerado um marco histórico para o sistema financeiro angolano, pois representa a reintegração de Angola nas redes globais de compensação e liquidação bancária, permitindo operações em dólares e euros com o maior banco norte-americano.
O processo, que teve o seu desfecho neste mês de Outubro, teve diversos reveses. Eis a timeline detalhada do processo de due diligence entre o Standard Bank Angola (SBA) e o JP Morgan, considerando as datas mais marcantes e que contribuíram para o acordo agora alcançado.
No final de 2015, início de 2016, as relações directas de contas correspondentes entre bancos angolanos e bancos norte-americanos são suspensas, por imposição regulatória dos EUA, devido a falhas de compliance e suspeitas de lavagem de dinheiro nas operações financeiras angolanas.
Foram precisos alguns anos, e em 2023, assiste-se ao desencadear formal do processo de reaproximação: o SBA inicia o processo de análise e revisão de políticas internas de compliance, preparando-se para responder aos requisitos rigorosos impostos por bancos internacionais e pelos reguladores americanos.
Entre 2023 e 2024, o SBA, com apoio do Grupo Standard Bank, submete relatórios detalhados, realiza workshops de integração e passa por diversas avaliações e auditorias cruzadas com o JP Morgan.
As equipas de compliance de ambos bancos mantêm reuniões técnicas periódicas, envio de documentação, stress tests nos sistemas internos e verificação de políticas AML/KYC (prevenção à lavagem de dinheiro e identificação de clientes).
Finalmente, em Junho de 2025, a aprovação formal do Comité Interno Global do JP Morgan é obtida, após dois anos de due diligence exaustiva.
O SBA torna-se o primeiro banco angolano autorizado a reabrir contas correspondentes com um banco norte-americano desde 2016.
Em Outubro, verifica-se a homologação do acordo. O processo é finalizado com a abertura formal das contas correspondentes em dólar e euro.
O SBA anuncia publicamente o restabelecimento da relação de correspondência bancária direta com o JP Morgan, marcando a reintegração de Angola ao sistema financeiro global.
Standard Bank Angola tornou-se assim o primeiro banco do país a restabelecer contas correspondentes directas com uma instituição financeira norte-americana, o que contribui não apenas para facilitar operações internacionais em moeda estrangeira, mas também para elevar a confiança do sistema financeiro angolano perante investidores e parceiros internacionais.
Segundo o CEO do banco, Luís Teles, trata-se de uma parceria que reflecte colaboração, confiança e inovação entre as duas instituições e fortalece o potencial de crescimento de Angola e África na economia global.
O acordo reabre portas para operações de compra e venda de moeda estrangeira através de bancos norte-americanos, além de ser visto como símbolo da reabilitação do sistema angolano e da ampliação de soluções financeiras disponíveis para clientes empresariais e institucionais no país.
Este avanço destaca a importância do Standard Bank Angola como ponte entre o mercado nacional e as finanças internacionais, promovendo transparência, credibilidade e integração nos circuitos bancários mais exigentes do mundo.
JP Morgan, uma instituição centenária
O JP Morgan é liderado por Jamie Dimon, presidente e CEO, desde Janeiro de 2006, depois da fusão do JP Morgan & Co. com The Chase Manhattan Corporation em 2000, que criou a entidade JP Morgan Chase & Co., mas para irmos ao início da história deste banco norte-americano, temos de voltar no tempo até 1871.
Com a liderança de Jamie Dimon, a instituição tornou-se o maior banco norte-americano em termos de activos, ampliando serviços de banca comercial, investimentos, gestão de activos e digitalização.
Dimon fará 70 anos a 13 de Março do próximo ano. Embora diga que pretende continuar enquanto tiver energia, a verdade é que os analistas apontam que o período de transição já se iniciou e que deve culminar em 2027.
Seja como for, o legado do nova-iorquino, que também passou pela Reserva Federal, é louvável.
O SBA é liderado pelo português Luís Teles, que exerce o cargo de Presidente da Comissão Executiva e Administrador Executivo. Teles tem uma licenciatura em Administração e Gestão de Empresas pela Universidade Católica Portuguesa; MBA pela Universidade Nova de Lisboa e pós-graduação no INSEAD em Advanced Management Programme e Strategic Management in Banking.
Trabalha há décadas no sistema financeiro, incluindo bancos de investimento e promoção de investimento.
A sua carreira passou por Lisboa, Seul, Londres, Joanesburgo e agora em Luanda. É o CEO do SBA desde 2018. Fazer do SBA “mais do que um banco” tem sido o seu lema.
O SBA aposta fortemente no apoio às empresas, pequenas, médias e grandes empresas, e tem vindo a assumir um papel de relevo no sector de petróleo e gás.
O SBA quer ainda tornar-se um “player de referência” no segmento de gestão de activos em Angola, e criou uma sociedade gestora de activos (Standard Gestão de Activos).