Trump reuniu-se com Macron na primeira jornada da cimeira, onde o acordo provisório com o Irão e a guerra na Ucrânia dominaram os trabalhos. O Presidente americano mostrou-se optimista, mas os desafios à consolidação da paz permanecem consideráveis.
Os líderes do G7 reuniram-se esta segunda-feira em Évian-les-Bains, a elegante estância termal francesa nas margens do Lago Leman, para o segundo dia de uma cimeira de três dias que tem como pano de fundo dois dos conflitos mais graves dos últimos anos: a guerra da Rússia na Ucrânia e o confronto entre os Estados Unidos e o Irão.
O acordo provisório alcançado entre Washington e Teerão para prolongar o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz foi o tema que mais atenção captou logo na primeira jornada. Trump reuniu-se bilateralmente com o Presidente francês Emmanuel Macron, que aproveitou o encontro para anunciar que forças europeias estão prontas a ser destacadas para o Estreito de Ormuz — sinal de que os aliados do G7 querem contribuir activamente para que a vital via marítima volte a funcionar o mais rapidamente possível e o fornecimento de energia flua livremente para os mercados mundiais.
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo, esteve fechado durante o conflito e a sua reabertura é considerada uma prioridade absoluta tanto por razões económicas como geopolíticas. A perspectiva de normalização já fez cair os preços do crude nos mercados internacionais nos últimos dias.
Trump revelou-se optimista quanto ao acordo, afirmando na cimeira que “vão acontecer coisas extraordinárias”. Ainda assim, os desafios à consolidação de uma paz duradoura são significativos. O principal ponto de incerteza continua a ser Israel, que não participou nas negociações e cujo ministro da Defesa declarou que o exército israelita não abandonará o sul do Líbano — onde combate o Hezbollah, apoiado pelo Irão. A continuação da ofensiva israelita no Líbano é um dos principais obstáculos a um acordo final que vá além do cessar-fogo provisório.
Para além do dossier iraniano, os líderes do G7 debatem também formas de pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia, num processo descrito como “difícil” pelos diplomatas presentes. O Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky participará numa sessão de trabalho na terça-feira, intitulada “Construir a paz e a segurança para a Ucrânia e a Europa”, embora não esteja previsto um encontro bilateral com Trump — reflectindo o espaço cada vez mais reduzido que Kiev ocupa na agenda de Washington.
A cimeira prossegue até quarta-feira, com inteligência artificial, desequilíbrios económicos globais e cadeias de abastecimento de minerais críticos também na agenda.