Desporto

Piada sobre Mao Tsé-Tung deverá custar milhões a Mbappé no mercado chinês

Polémica envolvendo o avançado francês já levou a Dongpeng – uma das principais empresas chinesas de bebidas, sobretudo energéticas – a anunciar o fim da colaboração com o futebolista, enquanto outras marcas chinesas retiram conteúdos publicitários. O prejuízo financeiro total permanece por calcular.

Kylian Mbappé, avançado francês do Real Madrid, enfrenta uma crise de imagem no mercado chinês que poderá custar-lhe milhões de dólares em receitas publicitárias, depois de uma referência humorística a um meme envolvendo um ditador chinês ter provocado uma onda de indignação nas redes sociais daquele país.

A polémica ganhou dimensão depois da divulgação de um vídeo do programa de YouTube The Bridge, conduzido pelo futebolista Aurélien Tchouaméni, companheiro de selecção de Mbappé. Questionado sobre o seu meme favorito, o internacional francês referiu uma imagem em que a sua cara aparece sobre o corpo de um ditador chinês. A imagem em causa remete para Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China.

As declarações desencadearam reacções negativas nas redes sociais chinesas, onde vários utilizadores exigiram que as empresas nacionais suspendessem os contratos publicitários com o jogador. O vídeo acabou por ser retirado das plataformas do programa.

A primeira consequência comercial concreta surgiu com a Dongpeng Beverage, que anunciou o fim da colaboração com Mbappé. A decisão representa um revés para o futebolista, que tem procurado reforçar a sua presença comercial em mercados internacionais.

A marca Mengniu, um dos principais grupos chineses do sector dos lacticínios, também foi associada à polémica, tendo sido noticiada a retirada de conteúdos promocionais relacionados com o jogador. Contudo, não está publicamente confirmado que tenha formalizado a rescisão do contrato nos mesmos termos da Dongpeng.

Valor dos contratos não são públicos  

O impacto financeiro da controvérsia permanece, por enquanto, desconhecido. Segundo o jornal espanhol elDiario.es, os acordos publicitários de Mbappé com marcas chinesas representam milhões de dólares por ano. Não foram, porém, divulgados os valores individuais dos contratos, nem as respectivas cláusulas de rescisão.

Para determinar o prejuízo efectivo, seria necessário conhecer a remuneração prevista em cada acordo, o período contratual ainda por cumprir e a existência de eventuais indemnizações. A estes elementos poderão somar-se perdas indirectas, caso a polémica afecte futuras parcerias comerciais do jogador na China.

O episódio evidencia a importância do mercado chinês para as grandes figuras do desporto mundial, mas também os riscos associados à utilização da imagem pública em contextos culturais e políticos sensíveis. Para marcas que procuram preservar a sua reputação junto dos consumidores locais, a associação a uma personalidade envolvida numa controvérsia pode tornar-se um problema comercial.

A crise surge numa altura particularmente importante para Mbappé. Ontem, segunda-feira, dia 26, o avançado francês terminou em segundo lugar na votação para a Bola de Ouro de 2026, conquistada pelo internacional inglês Harry Kane, do Bayern Munique. O prémio individual não está directamente relacionado com a polémica na China, mas o momento coloca o futebolista no centro de duas notícias de grande repercussão internacional.

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