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Infantino é amado em África mas odiado na Europa

O actual presidente da FIFA, o italiano Gianni Infantino, enfrenta uma crescente contestação na Europa, mas mantém um forte apoio em África, onde Marrocos, Egipto, República Democrática do Congo (RDC), Níger, Mauritânia e Comores estão entre os países que já manifestaram apoio à sua candidatura a um novo mandato, entre 2027 e 2031.

A Confederação Africana de Futebol (CAF) reafirmou o seu apoio a Infantino, apesar da oposição de várias federações europeias na sequência da polémica em torno do projecto FIFA Forward Enterprise, uma iniciativa de investimento comercial avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares.

Em Abril, a CAF anunciou que as 54 associações nacionais africanas tinham apoiado, por unanimidade, a candidatura de Infantino ao mandato 2027-2031. Desde então, a organização tem rejeitado as alegações de que o apoio ao dirigente esteja a diminuir no continente.

África representa cerca de 25,6% dos 211 votos da FIFA, dispondo de quase metade dos votos da UEFA, que reúne 55 associações. Cada associação nacional tem direito a um voto, independentemente da dimensão da população, do desempenho futebolístico ou da capacidade financeira do país.

Apesar da posição colectiva da CAF, apenas algumas federações africanas tornaram público, individualmente, o seu apoio a Infantino e às suas propostas.

Contestação cresce na Europa

Enquanto África apoio o actual número 1 da FIFA, na Europa, a posição do presidente da FIFA tem vindo a enfraquecer cada vez mais. Inglaterra, Alemanha, Países Baixos, Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, País de Gales, Sérvia, Grécia, Albânia e Croácia retiraram o apoio a Infantino ou indicaram que não pretendem votar nele. Roménia e República Checa também manifestaram reservas, enquanto a Jordânia se destacou como um dos principais opositores fora do continente europeu.

A contestação aumentou depois da polémica em torno da FIFA Forward Enterprise, uma empresa comercial que a FIFA pretendia criar para concentrar áreas como direitos televisivos, patrocínios, bilhética, licenciamento e outras actividades comerciais.

A organização avaliou o projecto em aproximadamente 20 mil milhões de dólares. O plano previa a possibilidade de investidores privados adquirirem até 20% da empresa por cerca de 4,2 mil milhões de dólares, mantendo a FIFA o controlo maioritário.

Dirigentes europeus levantaram questões relacionadas com a governação do projecto, a falta de consulta e o risco de investidores privados passarem a ter acesso ao lucrativo negócio associado aos Mundiais de futebol.

Perante a forte reacção negativa, a FIFA acabou por suspender o projecto e pedir desculpa pela forma como o processo foi conduzido.

Mais dinheiro para as federações

A controvérsia ocorre num momento de forte desempenho financeiro da FIFA. O Mundial de 2026, disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, terá gerado receitas estimadas em 15 mil milhões de dólares, acima da previsão inicial de cerca de 11 mil milhões.

Os resultados financeiros reforçaram o argumento de Infantino de que a FIFA dispõe de capacidade para aumentar o financiamento destinado às associações nacionais, sobretudo às federações de países com mercados futebolísticos menos desenvolvidos.

A FIFA informou as suas 211 associações-membro de que poderão receber até 40 milhões de dólares durante o ciclo 2027-2030.

O pacote prevê até 20 milhões de dólares em financiamento extraordinário e outros 20 milhões através dos programas de desenvolvimento FIFA Forward.

Infantino pretende ainda elevar para mais de 10 mil milhões de dólares os compromissos da FIFA com programas de desenvolvimento ao longo de quatro anos, contra cerca de 2,7 mil milhões previstos no actual modelo.

A proposta tem particular relevância para África, onde muitas federações dependem do financiamento da FIFA para construir e reabilitar estádios e campos de futebol, desenvolver centros de treino e reforçar as estruturas administrativas.

“Malawi precisa de dinheiro. Malawi precisa de estádios”, afirmou Fleetwood Haiya, presidente da Federação de Futebol do Malawi, ao defender um aumento do investimento da FIFA no desenvolvimento do futebol.

Neste cenário, Marrocos, Egipto e República Democrática do Congo surgem entre os mais destacados apoiantes africanos de Infantino, enquanto Níger, Mauritânia e Comores também manifestaram apoio.

Grandes potências do futebol africano, como Nigéria, África do Sul, Argélia, Senegal, Gana e Camarões, continuam abrangidas pelo apoio colectivo da CAF e, até ao momento, não aderiram publicamente à contestação contra o presidente da FIFA.

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