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CAF lidera apoio a Infantino após FIFA abandonar plano de vender participação comercial do Mundial

O presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF), Patrice Motsepe, liderou uma onda de apoio ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, depois de a FIFA desistir de um polémico plano para angariar 4,2 mil milhões de dólares através da venda de uma participação minoritária numa nova entidade responsável pelos direitos comerciais do Campeonato do Mundo.

O apoio africano surge numa altura em que várias confederações regionais da Europa, Ásia e América do Norte manifestaram perda de confiança na liderança de Infantino. Em contraste, os 54 países-membros da CAF continuam a constituir a sua principal base de apoio político antes da próxima eleição para a presidência da FIFA.

A controvérsia centrou-se na criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares que ficaria responsável pela gestão dos direitos comerciais do Campeonato do Mundo e de outras grandes competições.

O plano previa a venda de uma participação de 20% a investidores externos por aproximadamente 4,2 mil milhões de dólares. O consórcio de investimento seria liderado pela Thrive Eternal, empresa fundada pelo investidor norte-americano Joshua Kushner.

A proposta enfrentou forte oposição da UEFA e de dirigentes do futebol britânico, que defenderam que o Campeonato do Mundo não deveria ser alvo de uma operação desta natureza. Perante a pressão, a FIFA acabou por abandonar oficialmente o projecto.

Em declarações à agência Reuters, Patrice Motsepe justificou o seu apoio a Gianni Infantino. “É um amigo leal. É leal para com África. Venho de um contexto em que, quando alguém foi leal para connosco, não o traímos.”

A posição de Motsepe foi acompanhada por outros dirigentes da CAF, entre eles o vice-presidente da confederação, Fouzi Lekjaa, de Marrocos, bem como membros africanos do Conselho da FIFA provenientes do Egipto, Níger e Mauritânia.

Além de saudarem a decisão de abandonar o projecto relacionado com os direitos comerciais do Mundial, estes dirigentes reafirmaram o apoio à continuidade de Infantino na liderança da FIFA.

Apoio africano assenta no financiamento da FIFA

O forte apoio africano a Gianni Infantino está também relacionado com os programas de desenvolvimento financiados pela FIFA.

Quando foi eleito presidente da organização, em 2016, Infantino conquistou o apoio de muitas federações africanas ao prometer mais do que duplicar os fundos destinados ao desenvolvimento do futebol. Essa promessa materializou-se através do programa FIFA Forward.

Actualmente, a FIFA garante a cada associação nacional até 8 milhões de dólares por cada ciclo de quatro anos, verbas consideradas essenciais para muitas federações africanas, incluindo as do Malawi e das Comores, que dispõem de recursos financeiros limitados e de poucos patrocinadores.

 

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