Política 

Moçambique adjudica a empresas chinesas a construção da fronteira única com o Zimbabwe

Moçambique adjudicou uma concessão de 25 anos a duas empresas chinesas para construir e operar um posto fronteiriço de paragem única em Machipanda, uma travessia estratégica que liga o país ao vizinho Zimbabwe, refere a publicação ‘Business Insider Africa’.

A concessão foi atribuída à Union Portlink Capital e ao Zhongmei Engineering Group, ao abrigo de um modelo de parceria público-privada (PPP), segundo a Bloomberg. As empresas chinesas deterão uma participação de 75%, enquanto o Governo moçambicano ficará com 15%, através do Fundo de Estradas. Os restantes 10% serão detidos por empresários moçambicanos.

A construção da infra-estrutura deverá arrancar em Outubro, com um custo estimado de 30 milhões de dólares, segundo o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa.

Machipanda é um dos mais importantes corredores comerciais da região, ligando o Zimbabwe, a Zâmbia e o Malawi ao Porto da Beira, o segundo maior porto marítimo de Moçambique.

Mais de 400 camiões de mercadorias atravessam diariamente esta fronteira, transportando bens entre o porto e o interior da região. As autoridades esperam que o posto fronteiriço de paragem única simplifique os procedimentos aduaneiros e de imigração, reduza o congestionamento e diminua os tempos de espera das cargas, aumentando a eficiência do comércio transfronteiriço.

O projecto enquadra-se nos esforços mais amplos desenvolvidos no âmbito da Área de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) para melhorar as infra-estruturas de transporte e facilitar uma circulação mais rápida de mercadorias através das fronteiras africanas.

O mais recente acordo reforça ainda mais a presença das empresas chinesas no sector dos transportes e da logística em Moçambique. A Union Portlink Capital e o Zhongmei Engineering Group já possuem contratos para desenvolver a Estrada de Acesso ao Porto da Beira e o Terminal Logístico do Dondo, projectos avaliados em cerca de 160 milhões de dólares. Em conjunto com o posto fronteiriço de Machipanda, estes investimentos deverão melhorar a conectividade entre o Porto da Beira e os principais mercados da região.

A China continua a ser um dos maiores financiadores de infra-estruturas em África, apoiando projectos rodoviários, ferroviários, portuários e industriais em todo o continente através de instituições financeiras estatais e de empresas privadas.

Para Moçambique, espera-se que o projecto fronteiriço fortaleça a sua posição como uma importante plataforma logística da África Austral, ao melhorar a circulação de mercadorias numa das suas rotas comerciais mais movimentadas.

À medida que os volumes do comércio regional continuam a crescer, os investimentos em infra-estruturas fronteiriças serão essenciais para reduzir os custos de transporte, aumentar a eficiência do comércio e reforçar a competitividade do Porto da Beira como porta de entrada para o Zimbabwe, a Zâmbia, o Malawi e outras economias do interior.

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