Ao assumir as funções de Presidente da Comissão Executiva (PCE) do Banco de Negócios Internacional (BNI), no passado mês de Julho, José Carlos Burity quis deixar a sua marca com uma frase inspiradora nas redes sociais destinada a colaboradores, clientes e ao mercado em geral: “Estamos a iniciar um novo ciclo no BNI, assente numa base financeira mais robusta, numa visão estratégica clara e na confiança nas nossas pessoas. Acreditamos que é através do talento, da colaboração e da dedicação das nossas equipas que reforçaremos a competitividade do Banco, consolidando um crescimento sustentável e uma posição cada vez mais relevante no mercado.”
José Carlos Burity, que é gestor bancário com mais de duas décadas de experiência no sector financeiro, tendo desempenhado funções de liderança em instituições bancárias de Angola, Portugal e Namíbia, chega ao cargo máximo no BNI numa altura em que a instituição bancária apresenta indicadores robustos, sobretudo a nível de activos, crédito e capital próprio, embora, no primeiro trimestre de 2026 – são deste período os últimos dados – o lucro tivesse recuado um pouco em relação a 2025.
Vejamos: o BNI iniciou 2026 com um crescimento dos principais indicadores de actividade, apesar da redução do lucro líquido no primeiro trimestre, reflectindo o impacto do reforço das imparidades e do contexto macroeconómico.
Depois de ter encerrado 2025 com um activo total de 570 mil milhões de kwanzas, o banco elevou este indicador para 577,28 mil milhões de kwanzas no final do primeiro trimestre de 2026, o que representa um crescimento de 7,88%.
A carteira de crédito a clientes também manteve a trajectória ascendente, passando de um crédito líquido de 171 mil milhões de kwanzas em 2025 para 179,59 mil milhões de kwanzas no primeiro trimestre deste ano, uma subida de 21,78% em termos homólogos. Os depósitos de clientes aumentaram igualmente, atingindo 448,15 mil milhões de kwanzas, equivalentes a 95,43% do passivo, face aos 433 mil milhões registados no final de 2025.
Um dos indicadores que mais se destacou foi o reforço da capitalização do banco. Os fundos próprios cresceram 94,92% em relação ao primeiro trimestre de 2025, fixando-se em 106,76 mil milhões de kwanzas, evidenciando uma posição financeira mais robusta.
Em contrapartida, o lucro líquido do primeiro trimestre situou-se em 890,24 milhões de kwanzas, menos 38,05% do que no mesmo período do ano anterior. Segundo a instituição, esta evolução resulta sobretudo de uma política prudente de constituição de imparidades e dos efeitos do actual enquadramento económico, e não de uma deterioração da actividade operacional.
No exercício de 2025, o BNI apresentou um produto bancário de 35 mil milhões de kwanzas, um passivo total de 519,6 mil milhões e um capital próprio de 48,7 mil milhões de kwanzas. O banco melhorou ainda o seu rácio de eficiência para 63%, face aos 69% registados em 2024, e concluiu 97% das metas previstas no Plano de Transformação 2022-2025.
Os indicadores apontam, assim, para a continuidade do crescimento estrutural do BNI, sustentado pelo aumento dos activos, do crédito, dos depósitos e do reforço da base de capital, ainda que a rentabilidade no início de 2026 tenha sido condicionada por factores prudenciais e pelo contexto macroeconómico.