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Não sabe quem é Ken Griffin? Devia saber…

Apesar de não ser um nome tão familiar ao grande público como Elon Musk ou Warren Buffett, Ken Griffin é, segundo o consenso do sector financeiro, o gestor de hedge fund mais bem-sucedido da história — uma reputação construída ao longo de mais de três décadas, e que continua a expandir-se através de uma combinação pouco habitual de rigor quantitativo, apetite por activos de luxo e influência política de peso nos Estados Unidos.

Do dormitório de Harvard a uma fortuna de mais de 48 mil milhões de dólares, o fundador da Citadel construiu um dos maiores impérios financeiros do mundo — e uma reputação de gastador compulsivo.

Kenneth Cordele Griffin nasceu a 15 de Outubro de 1968, em Daytona Beach, na Flórida, e cresceu em Boca Raton, filho de uma família de classe média — o pai era executivo na indústria de materiais de construção. Ainda no liceu, presidiu ao clube de matemática e geriu, a partir do próprio quarto, uma pequena empresa de software educativo por correspondência, chamada EDCOM — um primeiro sinal do instinto empreendedor que definiria toda a sua carreira.

Em Harvard, onde se licenciou em Economia em 1989 (numa passagem de apenas três anos), Griffin instalou uma antena parabólica no telhado do dormitório Cabot House para receber cotações bolsistas em tempo real. Com 265 mil dólares angariados junto de familiares e amigos — incluindo a própria avó —, começou a negociar obrigações convertíveis ainda como estudante. Em Outubro de 1987, quando o mercado accionista norte-americano caiu 22,6% numa única sessão — o famoso “Black Monday”, que destruiu carreiras construídas ao longo de décadas —, Griffin conseguiu, ainda assim, ganhar dinheiro. Quando se formou, em 1989, já não tinha ainda 21 anos e possuía mais de um milhão de dólares.

A fundação da Citadel

Em 1990, com 4,6 milhões de dólares de capital inicial, Griffin fundou a empresa que viria a chamar-se Citadel — inicialmente baptizada Wellington Financial Group, antes de ser rebaptizada em 1994. A firma tornou-se conhecida pelas suas sofisticadas estratégias de negociação quantitativa e pelo investimento pesado em tecnologia, atravessando com sucesso a crise financeira de 2008 e emergindo ainda mais forte. Hoje, a Citadel gere mais de 65 mil milhões de dólares em activos, distribuídos por cinco estratégias centrais — rendimento fixo e macro, estratégias quantitativas, matérias-primas, acções e crédito. Griffin fundou ainda a Citadel Securities, uma das maiores empresas de “market making” do mundo, hoje responsável por cerca de um em cada quatro negócios accionistas realizados nas bolsas norte-americanas, e por quase 40% de todas as transacções de retalho nos Estados Unidos.

Segundo o Bloomberg Billionaires Index, a fortuna pessoal de Griffin ronda actualmente os 48 mil milhões de dólares, colocando-o entre as 40 pessoas mais ricas do planeta — um valor que, segundo estimativas anteriores, já chegou a ultrapassar os 51 mil milhões de dólares. Griffin detém cerca de 85% do negócio de hedge fund da Citadel, sendo esta a principal fonte da sua riqueza pessoal.

Griffin é conhecido pelos seus gastos extravagantes em imobiliário de luxo. Detém o recorde da compra residencial mais cara de sempre nos Estados Unidos — uma cobertura em Manhattan, adquirida em 2019 por 238 milhões de dólares —, e o seu portefólio imobiliário pessoal estende-se por Nova Iorque, Chicago, Miami, Palm Beach, os Hamptons, o Havai e Londres, avaliado, no conjunto, em mais de mil milhões de dólares.

Em 2021, protagonizou um dos leilões mais mediáticos da história recente, ao pagar 43,2 milhões de dólares, na Sotheby’s, por uma cópia original da Constituição dos Estados Unidos — superando a oferta de um colectivo cripto que tinha angariado 40 milhões de dólares para a mesma peça —, com o objectivo declarado de a expor ao público em espaços abertos.

Um dos maiores filantropos e doadores políticos dos Estados Unidos

A generosidade filantrópica de Griffin é igualmente notável: já doou mais de 1,5 mil milhões de dólares a diversas causas, sobretudo educação e investigação médica. É o maior doador individual da história de Harvard, tendo contribuído com 500 milhões de dólares para a sua alma mater — parte de uma doação de 300 milhões de dólares à Faculdade de Artes e Ciências da universidade, anunciada em 2023, e reconhecida com a atribuição do seu nome à própria faculdade de pós-graduação de Harvard.

No plano político, Griffin é um dos maiores doadores individuais dos Estados Unidos, canalizando somas avultadas sobretudo para causas conservadoras — um perfil que o coloca, ano após ano, entre as figuras mais influentes do financiamento político norte-americano, tanto pela generosidade das suas doações como pela dimensão da sua riqueza pessoal.

Um dos momentos mais mediáticos da carreira de Griffin ocorreu em 2021, durante o frenesim das “meme stocks” GameStop e AMC, quando a Citadel Securities se viu no centro da polémica pelo papel que desempenhou na execução de ordens para a plataforma de negociação Robinhood — sendo acusada por críticos de beneficiar das perdas de investidores de retalho. Griffin defendeu publicamente as práticas de “market making” da Citadel em depoimento perante o Congresso norte-americano, e o episódio teve pouco impacto duradouro nas contas da empresa: a Citadel registaria, nos anos seguintes, lucros recorde.

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