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Lucros da Galp disparam 44% para 812 milhões de euros, quando petrolífera prepara regresso a Angola

Resultados recordes do primeiro semestre surgem semanas depois de a Sonangol ter revelado interesse renovado da Galp em investir na exploração e produção de petróleo angolano

A Galp terminou os primeiros seis meses do ano com um lucro de 812 milhões de euros, um valor que representa uma subida de 44% face a igual período do ano anterior. Os resultados divulgados esta semana pela petrolífera portuguesa ganham particular relevância para Angola, num momento em que a Sonangol tem vindo a revelar o interesse renovado da empresa em regressar ao investimento no país, dois anos depois de ter saído da produção de petróleo angolana.

Um semestre de resultados recordes

Os resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações por custo de substituição (RCA EBITDA) foram de 2.216 milhões de euros entre Janeiro e Junho, um salto de 47% em comparação com o primeiro semestre do ano passado. O custo de substituição é uma métrica usada pelas petrolíferas para eliminar efeitos que possam distorcer os resultados operacionais.

O EBITDA no “upstream” — referente à produção e extracção de petróleo e gás natural — deu um salto de 76% no primeiro semestre, atingindo os 1.384 milhões de euros, contra os 788 milhões registados há um ano. Já no “midstream” — transporte, armazenamento e processamento de crude e gás natural — o EBITDA cresceu 22%, para os 656 milhões. Na comercialização para clientes finais, o EBITDA cresceu 21%, para 197 milhões de euros. A categoria das renováveis registou uma queda no EBITDA, de 19 milhões para nove milhões de euros, numa quebra homóloga de 52% — a mesma semana em que a Galp anunciou a aquisição de 15 parques eólicos à Acciona, em Espanha, por 420 milhões de euros.

O fluxo de caixa operacional ajustado aumentou 83% nos primeiros seis meses do ano, para 1.789 milhões de euros. Regista-se ainda uma redução da dívida, em 3%, para os 1.379 milhões.

Olhando para os resultados do segundo trimestre, os lucros foram de 540 milhões de euros, mais 45% do que em igual período do ano passado. Já o RCA EBITDA situou-se nos 1.272 milhões, um aumento de 52%, sobretudo graças ao crescimento no “upstream” (73%) e no “midstream” (43%). No primeiro trimestre do ano, os lucros já tinham crescido 41%.

“A Galp apresentou mais um trimestre de forte desempenho operacional e financeiro. (…) A robusta geração de caixa durante o primeiro semestre reforça a nossa confiança nas perspectivas para 2026, reflectida na revisão em alta das nossas projecções”, escrevem os presidentes executivos da petrolífera, Maria João Carioca e João Marques da Silva, no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). No “short termoutlook” para o que resta de 2026, a Galp antecipa agora uma margem de refinação de 13 dólares por barril, contra os 5,5 dólares anteriormente projectados.

Uma relação de 42 anos que Angola quer retomar

Os resultados recordes chegam num momento particularmente simbólico para a relação entre a Galp e Angola. A petrolífera portuguesa começou a produzir petróleo angolano em 1982 e manteve essa actividade durante 42 anos, até 2024, ano em que vendeu os seus activos de exploração e produção à petrolífera privada angolana Etu Energias, por 830 milhões de dólares, encerrando uma ligação histórica ao sector produtivo do país.

Menos de dois anos depois dessa saída, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins, revelou, durante a conferência Doing Business Angola, realizada em Lisboa, que a Galp está de volta ao interesse pelo mercado angolano. “Ainda recentemente tivemos a visita de uma delegação da Galp que, depois de ter saído, voltou e quer investir connosco nas áreas de exploração e produção”, declarou o líder da petrolífera estatal angolana, considerando o movimento um sinal de confiança nas oportunidades que Angola continua a oferecer aos investidores.

Apesar da saída da produção, Galp e Sonangol nunca deixaram de manter uma relação estreita através da Sonangalp, joint venture na área da distribuição de combustíveis — parceria que Gaspar Martins classificou como estratégica para ambas as empresas, chegando a descrever a Galp como “praticamente uma empresa irmã”. A ligação entre as duas petrolíferas estende-se ainda ao capital accionista: a Sonangol detém, através da Amorim Energia, uma participação indirecta de 17% na Galp — uma fatia que, à boleia da valorização em bolsa da petrolífera portuguesa, representa hoje um investimento de milhares de milhões de euros para o Estado angolano.

Um regresso enquadrado numa vaga mais ampla de investimento

O possível regresso da Galp surge num momento em que Angola tem procurado atrair de volta operadoras internacionais para o seu sector petrolífero, com o objectivo de travar o declínio da produção e mantê-la acima de um milhão de barris por dia. Nos últimos meses, o país tem anunciado avanços com outras petrolíferas internacionais, incluindo um acordo de princípios entre a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), a TotalEnergies e a ExxonMobil para avaliar conjuntamente novas áreas de exploração offshore, além do regresso da Shell ao país, duas décadas depois, com um investimento de quase mil milhões de dólares para a prospecção de 17 blocos.

Segundo Gaspar Martins, “Angola continua a ser um bom local para se poder investir”, com o país a manter-se, segundo o responsável, estável em termos contratuais e envolvido, através da Sonangol, em 41 concessões petrolíferas distribuídas por investidores nacionais e estrangeiros. Para além do sector petrolífero, a Sonangol tem também vindo a reforçar parcerias com empresas portuguesas noutras áreas, incluindo um projecto em curso com a Mota-Engil para reactivar um estaleiro naval destinado à construção de embarcações para a indústria petrolífera angolana.

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