As dívidas atrasadas do Estado caíram 6% no primeiro semestre de 2026, para 2,4 biliões de kwanzas (cerca de 2.609 milhões de dólares), com os pagamentos a superarem as novas dívidas reconhecidas, segundo dados apresentados em Luanda.
Os números constam do balanço do Plano Anual de Endividamento (PAE), apresentado no Museu da Moeda, em Luanda, pelo director-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública (UGD), DorivaldoTeixeira.
O stock de passivos atrasados do Estado reduziu-se de 2,5 biliões de kwanzas (cerca de 2.717 milhões de dólares) no início do ano para 2.381,5 mil milhões de kwanzas (cerca de 2.589 milhões de dólares) em Junho, uma diminuição de 151,6 mil milhões de kwanzas (cerca de 165 milhões de dólares).
No mesmo período, os pagamentos ascenderam a 306 mil milhões de kwanzas (cerca de 333 milhões de dólares), sobretudo através de ofícios de pagamento e ordens de saque, montante acima das novas dívidas reconhecidas pela Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE), equivalentes a 154,7 mil milhões de kwanzas (cerca de 168 milhões de dólares).
Com o pagamento dos atrasados, o Estado está a canalizar liquidez para o sector privado, sublinhou Dorivaldo Teixeira.
O responsável destacou igualmente a redução da exposição cambial da dívida, que manteve a tendência decrescente, com os financiamentos internos a privilegiarem instrumentos em moeda nacional.
O dólar continua a dominar a composição cambial da carteira, com 64,71%, seguido do kwanza (20,55%) e do euro (8,73%).
Dorivaldo Teixeira apresentou também as métricas de acompanhamento da dívida, revelando que três indicadores estão fora das metas estratégicas para 2026-2028: o tempo médio de vencimento da dívida governamental, de 7,22 anos (meta de 7,8 a nove anos); a percentagem de dívida a vencer num ano, de 16,12% (meta de até 14%); e a taxa de juro média ponderada, de 8,62% (meta de 7% a 7,8%).
Já o rácio da dívida pública face ao PIB, de 54,75% em Junho (meta de até 60%), a percentagem de dívida interna com taxa fixa (98,11%) e a de dívida externa com taxa variável, que recuou para 50,36%, cumprem as metas previstas.