Internacional

Tensões no Médio Oriente estrangulam tráfego marítimo e ameaçam disparar a inflação global. Petróleo volta a aproximar-se dos 100 dólares por barril

Ao décimo dia consecutivo de ataques aéreos entre os Estados Unidos e o Irão, apenas 53 navios atravessaram o Estreito de Ormuz na semana até 20 de Julho, uma queda de 66% face aos sete dias anteriores, segundo dados da Lloyd’s List Intelligence. Entretanto, as ameaças de ataques dos Huthis no Mar Vermelho estão a limitar a capacidade da Arábia Saudita de desviar as suas exportações por rotas alternativas.

O impacto já se sente nos preços dos combustíveis: o preço médio da gasolina nos Estados Unidos ultrapassou os quatro dólares por galão pela primeira vez desde 17 de Junho. Na Europa, o banco de investimento Goldman Sachs prevê que os preços do gás natural se mantenham elevados até 2027/2028.

O agravamento do quadro energético surge num momento delicado para as economias ocidentais. Um comentador económico de referência alertou que os dados recentes que apontavam para um abrandamento da inflação nos Estados Unidos poderão ter sido “um dado isolado”, e não o início de uma tendência sustentada.

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás transacionados a nível mundial, tornou-se o epicentro da crise desde que o conflito entre Washington e Teerão se reacendeu, com o bloqueio naval norte-americano e os ataques iranianos a navios mercantes a afastarem cada vez mais operadores da rota. Analistas do sector alertam que, caso a intensidade dos combates se mantenha nas próximas semanas, o preço do petróleo poderá voltar a aproximar-se dos 100 dólares por barril.

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