O kwanza ganha este mês estatuto regional ao ser incluído como activo financeiro de liquidação no sistema de pagamentos transfronteiriços da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). A revelação foi feita pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, durante o acto de assinatura do memorando de entendimento com o Banco Central da República Democrática do Congo (BCC), realizado recentemente, em Luanda.
“Este mês, o kwanza começa a ser aceite como moeda de liquidação, no âmbito do sistema de compensação e liquidação a grosso da SADC, o chamado SADC-RTGS (Sistema de Liquidação Bruta em Tempo Real da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral)”, anunciou o governador, esclarecendo que a medida vai facilitar as transacções comerciais entre Angola e o resto da região.
A entrada em vigor confirma um processo que o próprio governador vinha já anunciando desde Maio, quando, numa conferência sobre o Futuro da Banca em Angola, revelou que o BNA tinha formalizado o pedido de participação junto da entidade gestora da plataforma regional. Na altura, Manuel Tiago Dias explicou que a iniciativa vai permitir maior celeridade nas operações comerciais entre os países da região e reduzir significativamente os custos das transacções, ao eliminar a dependência de bancos correspondentes estrangeiros — um mecanismo que, até agora, encarecia e atrasava o comércio transfronteiriço, penalizando sobretudo empresários angolanos que operam com países vizinhos como a Namíbia, a Zâmbia, a República Democrática do Congo e a África do Sul.
Segundo o governador, os avanços tecnológicos registados nos últimos anos criaram as condições necessárias para a implementação efectiva do acordo, alicerçada em dois pilares do sistema financeiro nacional: a EMIS (Empresa Interbancária de Serviços) e a rede Multicaixa, que impulsionaram de forma determinante a digitalização dos pagamentos em Angola ao longo dos últimos 49 anos de evolução do sector e que agora sustentam a confiança do país para assumir um papel mais activono sistema financeiro regional.
A adesão do kwanza ao SADC-RTGS surge assim enquadrada numa estratégia mais ampla de integração financeira regional que o BNA tem vindo a desenvolver em várias frentes ao mesmo tempo: o mesmo memorando de entendimento assinado esta quarta-feira com o Banco Central da República Democrática do Congo tem precisamente como objectivo facilitar e supervisionar os pagamentos transfronteiriços entre os dois países, através da interoperabilidade dos sistemas de pagamento e da utilização de instrumentos de pagamento digitais — um sinal de que Angola está a construir, em paralelo, tanto a integração multilateral através da SADC como acordos bilaterais directos com países vizinhos.
Para as empresas angolanas, a expectativa é que a utilização directa do kwanza nas transacçõesregionais se traduza numa redução dos custos operacionais, o que poderá reflectir-se em preços mais competitivos para os produtos nacionais no mercado da SADC e, por essa via, num maior volume de exportações para a região.