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Nova injeção destrói cancros da cabeça e do pescoço sem resposta aos tratamentos convencionais

Um anticorpo biespecífico desenvolvido pela Johnson & Johnson eliminou completamente 15 tumores e reduziu 28 noutros tantos doentes num ensaio com 102 participantes. O Amivantamab actua sobre duas proteínas presentes em 85% deste tipo de cancro e é administrado por injecção subcutânea, sem necessidade de quimioterapia intravenosa. O custo do tratamento é ainda desconhecido.

O Amivantamab representa uma abordagem distinta no tratamento dos cancros da cabeça e do pescoço — tumores que incluem as cavidades oral, faríngea e laríngea e que, quando resistentes aos tratamentos convencionais, deixam os doentes com poucas alternativas.

O mecanismo de acção assenta numa descoberta clínica relevante: 85% destes cancros expressam duas proteínas específicas, EGFR e MET, que o medicamento bloqueia de forma selectiva, induzindo a morte das células tumorais. Ao contrário da quimioterapia, que actua de forma abrangente, este anticorpo biespecífico dirige-se apenas às células que expressam essas proteínas. A administração é feita por injecção subcutânea na região abdominal — uma diferença prática significativa para doentes que vivem com tratamentos prolongados.

Os resultados do ensaio em curso são promissores, mas ainda preliminares. Dos 102 doentes tratados até agora, mais de um terço respondeu ao tratamento: 15 tumores foram completamente eliminados e 28 reduziram de dimensão. O ensaio, que pretende recrutar 500 doentes ao longo de dois a três anos, está ainda em fase de recrutamento.

O medicamento destina-se a doentes com cancro da cabeça e do pescoço em fase avançada — com recidiva, irressecável ou com metástases — que não responderam à cirurgia, à radioterapia ou à quimioterapia. É também uma opção para quem, anos após o tratamento inicial, desenvolveu metástases noutro local do corpo com origem neste tipo de tumor. Estão excluídos os tumores do sistema nervoso central e da tiroide. Os doentes elegíveis devem ainda apresentar expressão da proteína PD-L1 e ter outros problemas de saúde controlados.

Em Portugal, cinco hospitais vão participar neste ensaio: o Hospital de Portimão, o Hospital de Gaia, o Hospital de Espinho, o IPO do Porto e a CUF Descobertas. Estima-se que entre 15 e 17 doentes portugueses possam integrar o estudo. Os doentes referenciados para a CUF não terão custos associados.

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