O banco norte-americano está a caminho de obter uma licença de banco de investimento no país, numa altura em que Abuja lança um plano a dez anos para o mercado de capitais e a refinaria Dangote fecha a maior entrada em bolsa de sempre em África.
O JPMorgan fez um depósito obrigatório de 38 milhões de dólares junto do Banco Central da Nigéria, um passo decisivo para obter uma licença de banco de investimento (merchant bank) no país, noticiou a Bloomberg. Se a licença for aprovada, a entrada do banco de Nova Iorque dará um peso considerável ao sector da banca de investimento nigeriana, numa altura em que o país procura atrair mais capital estrangeiro. O JPMorgan quer começar a operar até ao final do ano, sujeito à aprovação dos reguladores.
A Nigéria faz parte da estratégia de expansão do banco em África. Este ano, o JPMorgan nomeou Edward Bell responsável pela banca de investimento na África Subsariana, e abriu escritórios em Nairobi e Abidjan. O banco tem-se mostrado optimista quanto às perspectivas do país, tal como de outros mercados de fronteira.
Um plano a dez anos para a bolsa
O passo do JPMorgan coincide com o lançamento, esta semana, do segundo Plano Director do Mercado de Capitais da Nigéria, apresentado pelo vice-Presidente Kashim Shettima numa conferência em Abuja. O plano quer triplicar a capitalização do mercado, dos cerca de 250 biliões de nairas actuais para 750 biliões em 2036. Uma das metas é elevar o investimento anual da diáspora de 4 mil milhões para 10 mil milhões de dólares. O director-geral da Comissão de Valores Mobiliários, Emomotimi Agama, anunciou também um esquema nacional de poupança dirigido a comerciantes, agricultores e jovens licenciados, e garantiu que cada compromisso do plano “terá um responsável, um calendário e uma avaliação”.
A ambição ganhou fôlego com a oferta pública da refinaria Dangote, que pretende angariar pelo menos 1,6 mil milhões de dólares até ao fecho da operação. É a maior de sempre no continente. Abuja quer agora usar o mesmo modelo de certificados globais de depósito, que permitiu vender acções da refinaria em bolsas como a de Nairobi, para atrair empresas e investidores de outros países africanos.