A Lobito Atlantic Railway (LAR) activou uma operação de contingência multimodal na Plataforma Multimodal do Dango (PMD) para garantir a continuidade dos fluxos de carga no Corredor do Lobito, na sequência das cheias severas que atingiram a província de Benguela em meados de Abril.
As chuvas intensas dos dias 11 e 12 de Abril de 2026 provocaram o transbordo dos rios Cavaco e Halo, originando inundações súbitas que causaram vítimas mortais, destruição de habitações e o desalojamento de várias famílias. Em algumas zonas, a subida rápida das águas apanhou populações desprevenidas, agravando o impacto humano da tragédia.
Ao nível das infraestruturas, os danos foram significativos. A circulação ferroviária no Corredor do Lobito foi suspensa devido a prejuízos na linha e, em particular, na ponte sobre o rio Cavaco. A interrupção afectou o transporte de mercadorias entre o Lobito e o Luau, bem como a mobilidade rodoviária e ferroviária entre Benguela e o Lobito.
Apesar da gravidade da situação, fontes indicam que o terminal mineiro do corredor não terá sido directamente afectado, concentrando-se os principais danos nos troços ferroviários e nas ligações críticas de acesso e escoamento.
As cheias atingiram também vários pontos da Linha do Caminho de Ferro de Benguela, obrigando à suspensão temporária da circulação entre o Negrão e o Cubal. A LAR assegurou que não houve registo de feridos entre colaboradores ou subcontratados.
Perante este cenário, a empresa implementou, em apenas sete dias, uma solução integrada rodo-ferroviária, em coordenação com autoridades e parceiros. O modelo liga o Porto do Lobito ao Dango — última estação operacional antes do Huambo — assegurando depois o transporte ferroviário até ao Luau e a Kolwezi.
Em menos de duas semanas, a operadora conseguiu restabelecer condições regulares de serviço, retomando ciclos logísticos e níveis de desempenho semelhantes aos anteriores à ocorrência.
“Nos últimos dias, demonstrámos um nível excepcional de resiliência e capacidade de execução. Em menos de duas semanas, restabelecemos a operação e retomámos condições regulares de serviço, uma resposta que distingue este corredor”, afirmou Nicholas Fournier, CEO da LAR.
A retoma operacional incluiu a realização, a 20 de Abril, da primeira operação ferroviária no Dango, com um comboio da Sonagás, seguida, a 24 de abril, da expedição da primeira carga de cobre e enxofre a partir do Lobito.
Paralelamente, a empresa tem vindo a trabalhar com as autoridades na sensibilização das comunidades ao longo da linha, sobretudo devido ao aumento do tráfego rodoviário de camiões, e no apoio às famílias afectadas pelas cheias.
Os trabalhos de reabilitação das infraestruturas danificadas continuam em curso, com um plano definido para a recuperação integral da linha. Entretanto, o tráfego internacional para além do Huambo mantém-se operacional, assegurando a continuidade das ligações logísticas regionais.