Angola e Moçambique reforçaram os laços históricos de irmandade, solidariedade e cooperação durante uma visita oficial do Presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, à Assembleia da República de Moçambique, num encontro marcado por fortes mensagens políticas, históricas e institucionais.
A relação entre os dois países foi evocada como sendo profundamente enraizada na história comum da luta de libertação nacional contra o colonialismo português, bem como na partilha de valores culturais, políticos e sociais que continuam a unir os dois povos.
Durante a intervenção, Adão de Almeida, recordou a figura de Samora Moisés Machel, primeiro Presidente da República de Moçambique, cuja morte em Outubro de 1986 marcou profundamente os angolanos. O país que decretou luto nacional em homenagem ao líder moçambicano, um episódio apresentado como símbolo da ligação emocional e política entre os dois Estados.
O discurso destacou ainda momentos históricos de cooperação e solidariedade entre movimentos de libertação dos países da África lusófona, sublinhando encontros e iniciativas diplomáticas que envolveram líderes como Agostinho Neto, Marcelino dos Santos e Amílcar Cabral.
No plano institucional, Angola e Moçambique assinaram um novo Programa de Cooperação Parlamentar 2026–2028, que prevê o reforço da colaboração em áreas consideradas estratégicas para os dois parlamentos, anunciou ainda o presidente da Assembleia Nacional.
As duas instituições, detentoras do poder legislativo, defenderam ainda o aprofundamento da integração regional no quadro da SADC, incluindo a transformação do Fórum Parlamentar da organização em Parlamento Regional, com vista à harmonização legislativa na África Austral.
No contexto da CPLP, foi sublinhada a necessidade de facilitar a mobilidade entre Estados-membros e de reforçar a dimensão económica da comunidade lusófona, considerada essencial para o seu desenvolvimento.
A intervenção de Adão de Almeida destacou igualmente desafios sociais comuns aos dois países, como a redução das desigualdades, o combate à pobreza, o acesso à educação, saúde, água e energia, bem como a necessidade de investir em infraestruturas e políticas de inclusão social.
Foi dada especial atenção ao papel da mulher na sociedade, reconhecendo o seu contributo estruturante para a estabilidade social e o desenvolvimento, assim como à importância da juventude como motor do futuro.
Num momento marcado por referências ao contexto internacional, foi sublinhada a importância da diplomacia e do diálogo na resolução de conflitos, bem como a necessidade de reformas no sistema de governação global, com maior representação de África em órgãos como o Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O discurso de Adão de Almeida alertou ainda para os desafios da revolução digital, defendendo que os países africanos devem proteger os seus interesses nacionais num mundo cada vez mais globalizado e tecnologicamente dependente.
A visita foi encerrada com uma forte mensagem simbólica de unidade entre os dois povos, reforçando a ideia de que Angola e Moçambique permanecem ligados por uma identidade comum, expressa na cultura, na história e na solidariedade entre os seus cidadãos.
“Estamos juntos” foi a expressão escolhida pelo presidente do Parlamento angolano para resumir o espírito do encontro, considerado mais do que uma visita protocolar, mas sim um reencontro entre “povos irmãos”.